- É bom que fiquem esclarecidos que não andas com a Lara - Sussurrou-lhe ela ao ouvido depois do beijo.
Logo depois saiu dali, deixando-o a ele extasiado no meio das raparigas da sua turma, boquiabertas. Elas depressa dispersaram. Sentiu-se aliviado, continuava livre de raparigas chatas e ao mesmo tempo, sentia uma grande satisfação em saber que todos iriam saber da sua relação com Auri.
Minutos mais tarde, enquanto bebia um iogurte, resolvendo que tinha de colocar mais qualquer coisa no estômago, algo que não costumava fazer naqueles intervalos, Cláudia e as amigas voltaram, mas algo estava diferente, errado até. Passava-se alguma coisa.
- Hélio, vem connosco, rápido! - Exclamou ela num tom de voz fora do comum.
- Onde? Que se passa? - Respondeu, já sendo arrastado pelas três raparigas.
- É a tua namorada!
Sentiu-se feliz ao ouvir aquelas palavras. Era a sua namorada. De súbito apercebeu-se do que isso poderia querer dizer. Era a sua namorada? Que teria acontecido? Ficou bastante preocupado e teve um péssimo pressentimento.
- Que aconteceu? - perguntou acelerando o passo.
Nenhuma delas chegou a responder. Quando chegaram à entrada da casa de banho das raparigas, entrou de rompante, não ligando ao facto de nunca ali ter entrado. Uma continua estava ali, sem saber o que fazer.
- Já ligaram ao 112? - Foi a primeira coisa que se lembrou de perguntar assim que viu a sua namorada estendida no chão repleto de vómito e sangue.
- Não... - respondeu a continua.
- E está à espera de quê?! - Exclamou um pouco exaltado.
A funcionária da escola saiu da casa de banho deixando-o sozinho com Auri e as restantes raparigas. Aparentemente ainda não havia nenhum alarido acerca do sucedido. Correu para a sua namorada e molhou-lhe o rosto com agua da torneira. Ela estava pálida e a sua respiração era lenta e de certa forma anormal. Estava bastante assustado e não sabia bem o que fazer. Mas tinha de fazer algo, não a podia deixar ali assim. Preparou-se para a levantar dali. Aquele chão estava frio e não lhe podia estar a fazer bem.
- Que estás a fazer? Ela desmaiou, pode ter batido com a cabeça, ou ter partido qualquer coisa, não a podes levantar! Podes fazer pior! - Disse uma das amigas de Cláudia, da qual não se estava a lembrar do nome.
Ela tinha razão, claro. Molhou alguns papeis daqueles que serviam apenas para limpar as mãos e limpou o rosto da sua amada. Em seguida colocou alguns papeis húmidos na sua testa que estava bastante quente. Claro que não valeu de grande coisa, passado um pouco veio um novo vómito ensanguentado. Felizmente, a funcionária voltou, trazendo consigo os bombeiros que pegaram nela com cuidado e a colocaram numa maca. Por um momento Auri levantou a mão e estendeu-a em direção a si, mas depressa voltou a desfalecer.
Ele e a funcionária foram com ela na Ambulância. Ela porque era a responsável, em teoria pelo menos, ele porque era considerado a pessoa mais próxima que ela tinha ali. Depois, no hospital, obviamente, deixaram-nos na sala de espera enquanto ela foi encaminhada para uma sala de tratamentos no serviço de urgência. Hélio já não conseguia ficar quieto na cadeira e depois de uma hora, já tinha perguntado várias vezes no balcão se já sabiam de alguma novidade do estado da namorada.
- Nós quando soubermos de alguma coisa avisamos. Não podes estar sempre a vir aqui perguntar. Não te preocupes, vai ficar tudo bem, isto são coisas que demoram tempo... vá. - disseram-lhe depois da sexta tentativa em obter informações.
Já era de noite e Hélio já não tinha energia nas pernas, quando finalmente uma enfermeira lhe veio dar alguma noticia.
- Boa noite. Está aqui algum parente ou algum conhecido da menina Aurora? - perguntou ela bastante amavelmente.
- Sim - respondeu saltando da cadeira.
- Trago boas noticias. A Aurora já se encontra bem e está acordada.
- Posso ir vê-la? - Perguntou aliviado mas ainda não acreditando totalmente na palavra da enfermeira.
- Sim, podem. Peço-vos é que não a façam falar muito pois ela está muito fraca.
- E sabe-nos dizer o que ela tem? - Perguntou a funcionária, mostrando algum interesse pela primeira vez.
- A Aurora tem uma úlcera gástrica, que pelo que analisamos
já não é recente. Soubemos que ela deixara de tomar os medicamentos algum tempo
mas soubemos também que ela fuma e desconfiamos que tenha sido esse o motivo
para a úlcera ter voltado a trazer-lhe problemas. Mas ela vai ficar bem, isto
se deixar de fumar e tomar mais alguns medicamentos por algum tempo.
Depois de ouvir a resposta, quase correu pelo hospital para chegar ao quarto de Auri. Quando chegou, ela estava deitada de barriga para cima, vestida com uma daquelas roupas horriveis com que vestem os doentes sempre que ficam internados, com os olhos fechados e meia tapada com uma colcha fina. Ela estava pálida e amarelecida e ainda tinha marcas de vomito na face. Detestava hospitais por isso. Tratavam do essencial e depois deixavam pormenores fundamentais para trás. Assim que entrou ela abriu os olhos e desatou a chorar.
- Oh meu anjo - Disse-lhe, tentando disfarçar e emoção - Pensei que te ia perder.
Beijou-a ao de leve na testa, não queria que ela fizesse esforços, ao que ela respondeu com uma doce caricia na sua face. Definitivamente, não a ia deixar nunca.
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