Depois daquele pequeno-almoço Decidiram Ficar em casa
de Hélio e almoçar juntos, embora Auri estivesse um pouco relutante em fazê-lo
inicialmente. Pediram uma pizza, que não demorou muito tempo a chegar e
comeram-na bem juntinhos. Em seguida, muito a custo, foram para a escola. Não
que importasse muito onde estavam, desde que estivessem juntos, mas ainda não
tinham falado de como iriam comportar-se na escola. Se iriam encontrar-se em
todos os intervalos, almoçar sempre juntos, ou se continuariam a fazer tudo
como faziam normalmente. Não que isso tivesse muita importância, considerando
que as aulas estavam prestes a terminar. Uma coisa era certa, iam juntos para a
escola. Apanharam o autocarro e foram.
Depois de algumas paragens, desceram do autocarro e
seguiram o resto do caminho a pé, resto do caminho era o que Auri dizia, porque
na verdade eram uns meros metros. Passaram o portão de mãos dadas e pararam,
olhando um para o outro.
− Estou
atrasada para a aula… −
Disse ela.
Percebeu
então que ela não queria particularmente que as pessoas soubessem da sua
relação, provavelmente tinha medo do que poderiam dizer.
−
Eu também devo estar…
Soltaram
as mãos. Como lhe custava aquele gesto. Queria ir com ela, para onde quer que
ela fosse. E isso incluía a aula mais secante que se pudesse dar naquela
escola. Mas novamente, não se podia ter tudo.
−
Auri.
Ela
virou-se em resposta e Hélio agarrou-a pela cintura e beijou-a com ternura. Não
podia ir com ela, nem a podia levar consigo, mas podia roubar-lhe um ultimo
beijo, apenas para conseguir suportar todas aquelas aulas. Quando se separaram,
segundos depois, os olhos dela sorriam.
−
Aqui não… As pessoas vão reparar…
−
Eu sei, não te preocupes. Até logo.
−
Até logo.
O
dia ainda lhe pareceu ser mais longo depois de se separarem. Tinha uma enorme
vontade de estar constantemente com ela ao invés de aturar aqueles professores
chatos! E mesmo nos intervalos, a situação muitas vezes se tornava complicada.
Quase ao final do dia, quando já quase não suportava mais aquilo, uma rapariga
da sua turma veio meter conversa consigo. Já tinha observado a Cláudia antes.
Era uma rapariga relativamente bonita, alta e morena e dava-se com as restantes
raparigas populares da sua turma desde o início do secundário. Definitivamente,
não queria ter nada a ver com ela, especialmente agora.
−
Hélio, é verdade que acabaste com a filha do diretor? – Começou.
Novamente
aquele boato. Aquele boato que sempre lhe garantira estar longe daquelas
raparigas chatas. Mas agora já não fazia sentido manter aquele boato inútil.
−
Na verdade, nunca tive nada com a Lara…
−
Nunca tiveste nada com ela?... Mas desde sempre que se diz que são namorados…
Eu já vos vi algumas vezes juntos.
−
Somos apenas amigos – respondeu ocultado o grau de parentesco.
−
Bem, não importa – Disse aproximando-se dele – O que importa é que estejas
solteiro.
As
palavras fluíram-lhe lentamente pelo cérebro. Não estava a compreender.
−
Importa porquê? – Na verdade, agora não estava mesmo solteiro.
−
Bem… Não sei, no caso de existir alguma rapariga interessada talvez… − Disse
colocando-lhe uma mão no ombro.
Não
queria parecer rude, por isso controlou o impulso de a afastar automaticamente.
Resolveu dar um pequeno passo atrás, fingindo esticar as costas.
−
Pois… Suponho que sim. Mas na verdade… – Não sabia o que haveria de dizer a
seguir. Não queria nada ter a Cláudia ou qualquer uma das outras raparigas
atrás de si, por outro lado, não sabia se Auri queria que contasse que estavam
a namorar.
Surpreendentemente,
não teve de responder, sem saber exatamente de onde, Auri apareceu e colocou-se
entre eles agarrando-se ao seu pescoço e beijando-o nos lábios. Assim que ela o
fez, correspondeu-lhe agarrando-a pela cintura e toda a confusão de perguntas à
sua volta desapareceu.
Até.
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