O barulho na rua era estupidamente irritante. Um anormal qualquer cantava às duas da manhã, tentava fazer algo que para ele era rap ou algo do género e de vez em quando mandava uma rima fácil para o meio. De repente a luz acendeu-se no corredor. Já há muito que coloquei os auscultadores nos ouvidos, por isso os meus sentidos em relação a tudo o que me rodeia não são certamente os mais apurados. Espero ver alguém passar, alguém que tenha acendido a luz. Não passou ninguém e a luz apagou. E acendeu, e apagou e acendeu e não parou.
A casa é antiga. Não tem isolamento de som ou do que quer que seja. Não podemos esperar que a instalação elétrica seja a melhor. Ou pelo menos é isso que dizemos a nós próprios sempre que encontramos algo diferente, algo de anormal. Uma explicação lógica que explique tudo sem qualquer margem para dúvidas. Mas a luz ainda não parou de acender e apagar e para além do candeeiro daquela lâmpada parecer uma daquelas lanternas antigas dos postes ou uma lanterna de cemitério, a situação já começa a tornar-se irritante. Ou pelo menos irritante o suficiente para escrever sobre ela. Pondero em me levantar para a ir apagar, talvez se premir o interruptor ela se apague de vez e me deixe sossegado com a minha escuridão. Mas isso implica levantar-me e eu sou demasiado preguiçoso para o fazer, especialmente depois de um dia de trabalho, em que tenho de estar pelo menos oito horas de pé, claro que acabo sempre por estar mais do que isso, mas isso é outra história, para se contar noutra altura. Para além de tudo isso, sobre o que escreverei a seguir para terminar este texto se for realmente apagar a luz e nada mais acontecer?
A minha musica parou. Altura perfeita para me levantar. Já está. Luz apagada. Agora sou só eu, o meu querido pc vermelho, isto dito por alguém que anda sempre vestido de preto é impressionante, o barulho da rua, nas pausas da música, e a dita música não é?
Queria mesmo que fosse algo de interessante isto da luz XD mas é apenas um prédio velho quase junto à costa, cheio de humidade, provavelmente. Raramente cá estou, acordado pelo menos. Tenho dormido imenso ultimamente, hábito que estou a tentar perder. Deve-se notar pela hora a que estou a publicar isto!!
De qualquer das formas, não me lembro quando foi a ultima vez que uma coisa que eu quisesse importasse realmente. O que eu quero normalmente fica sempre em último plano, mesmo quando depende de mim. Eu e esta mania de colocar as pessoas de quem gosto à minha frente e de ser muito correto com as pessoas no geral tem de terminar. Já não se fazem pessoas a sim, e as que assim são, acabam por se prejudicar em relação às outras.
A verdade é que estou de mau humor. O que é interessante, porque não estou com um humor assim há já algum tempo. O pior é que não o posso descarregar de forma nenhuma porque o seu motivo é vago e na verdade parvo e estúpido, em comparação com tudo o que me vai na alma pelo menos. E pronto, estou para aqui a ver se sai qualquer coisa disto. Inicialmente ainda parecia que iria surgir qualquer ato de literatura, entretanto ficou apenas uma grande baralhação de ideias que no geral é apenas triste. E é nisto que o pseudo-futuro-escritor se está a tornar. Um gajo mal humorado que trabalha imenso por um pseudo-salário (estou a estagiar e até estou a gostar, mas pronto, é para reclamar é para reclamar, há que ser dramático) e escreve quando deveria estar a descansar. PFF. Até a mim me enjoa.
Até.
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