Os melhores dias são, e serão sempre, aqueles que não podemos aproveitar. Nós humanos adaptamo-nos a tudo, mas nunca me habituarei a isto.
Preciso de uma bebida. Nenhuma das bebidas que se bebem por este mundo fora. Não quero alcool, hoje não, agora não. Quero algo gelado que me tire este desconforto deste calor agoniante que não me deixa respirar!
E olho para o dia e penso.Porque não o posso agarrar e levar comigo para um tempo distante, quando tiver a disponibilidade de o aproveitar, deitar-me ao sol e relaxar, ou melhor ainda, algo que não digo nem às sombras em quem sempre confiei, ou nunca, por vezes é difícil distinguir os dois.
Não levamos nada connosco. Apenas o que vivemos no presente que se transforma em meras memórias para recordar e reviver quantas vezes a nossa sanidade permitir. E todos os dias que não podemos aproveitar, ficam perdidos eternamente, sem ser desfrutados de forma nenhuma, nem com uma bebida fresca, nem com um beijo caloroso. Dias assim, que de outra forma poderia ser perfeitos, são apenas esquecidos, para não serem mais revividos ou gravados onde quer que seja. A banalidade é um tormento.
De que vale um dia sem nuvens, limpo e claro, com uma temperatura perfeita e uma brisa suave se não o podemos desfrutar? Se não podemos pegar nele e levá-lo para quando quisermos? De que valem os dias e as noites sem aquela companhia que está longe ou a magia do seu beijo?
De que vale a vida se a passamos a lutar para que um dia possamos descansar sem que nunca descansemos?
Os dias foram feitos para aproveitar, antes que desapareçam, ou não?
Até.
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