Os melhores dias são, e serão sempre, aqueles que não podemos aproveitar. Nós humanos adaptamo-nos a tudo, mas nunca me habituarei a isto.
Preciso de uma bebida. Nenhuma das bebidas que se bebem por este mundo fora. Não quero alcool, hoje não, agora não. Quero algo gelado que me tire este desconforto deste calor agoniante que não me deixa respirar!
E olho para o dia e penso.Porque não o posso agarrar e levar comigo para um tempo distante, quando tiver a disponibilidade de o aproveitar, deitar-me ao sol e relaxar, ou melhor ainda, algo que não digo nem às sombras em quem sempre confiei, ou nunca, por vezes é difícil distinguir os dois.
Não levamos nada connosco. Apenas o que vivemos no presente que se transforma em meras memórias para recordar e reviver quantas vezes a nossa sanidade permitir. E todos os dias que não podemos aproveitar, ficam perdidos eternamente, sem ser desfrutados de forma nenhuma, nem com uma bebida fresca, nem com um beijo caloroso. Dias assim, que de outra forma poderia ser perfeitos, são apenas esquecidos, para não serem mais revividos ou gravados onde quer que seja. A banalidade é um tormento.
De que vale um dia sem nuvens, limpo e claro, com uma temperatura perfeita e uma brisa suave se não o podemos desfrutar? Se não podemos pegar nele e levá-lo para quando quisermos? De que valem os dias e as noites sem aquela companhia que está longe ou a magia do seu beijo?
De que vale a vida se a passamos a lutar para que um dia possamos descansar sem que nunca descansemos?
Os dias foram feitos para aproveitar, antes que desapareçam, ou não?
Até.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
terça-feira, 29 de julho de 2014
Right person - part 16
Passou um mês e continuava chateado com os seus pais, especialmente com o seu pai, visto que tudo se passou com ele. Durante aquele tempo, passou o mínimo de tempo possível em casa, mesmo estando de férias. O pior de tudo, é que não conseguia encarar ainda o resto da sua família. Será que todos sabiam menos ele e fez papel de parvo? Será que ainda estão todos na ignorância como ele estava? E se sabem, como é que os ia encarar agora, quando eles sabiam o que o seu pai tinha feito e sabiam que ele não sabia de nada! Portanto, para além de evitar os seus pais, evitou toda a gente. Chegou mesmo a arranjar um pequeno part-time, que lhe rendeu algum dinheiro, mas foi uma coisa passageira, e já tinha terminado. Por isso, e por outros tantos motivos, passou muito boa parte do seu tempo com Auri.
Estava a agarrar o telemóvel quando recebeu uma mensagem dela. Estava a convidá-lo para ir ao cinema naquela noite. Obviamente que aceitou. Já não iam ao cinema há algum tempo e a ideia de estar com Auri, de preferência sozinhos, no escuro do cinema, agradava-lhe. Entretanto, ainda tinha imenso tempo até à hora combinada. Mesmo que chegasse um pouco mais cedo, para jantar junto ao cinema. Fez a coisa mais logica que poderia fazer para passar o tempo. Pegou no pc e jogou um jogo online. Nem deu pelo tempo passar, quando olhou para as horas eram quase sete da tarde. Saiu do jogo, por mais que os colegas de equipa lhe pedissem para não o fazer, provavelmente iriam falhar na missão por causa da sua ausência, desligou o pc, que ficou a fazer actualizações e foi tomar um banho rápido. Depois de se secar, quase por completo, vestiu-se à pressa, por estranho que pareça, vestiu umas calças, algo que já não fazia há algum tempo, devido ao calor, mas parecia que naquela noite ia estar fresco.
Menos de cinco minutos depois, estava na paragem de autocarro. Ainda bem que passavam autocarros quase de dez em dez minutos. Apanhou o seguinte e seguiu até ao forum. Depois, foi jantar, mesmo sendo um pouco cedo para o fazer, pois se esperasse até horas que para ele fossem decentes, iria estar muito mais caótico. Assim, jantou calmamente, comento metade de uma pizza. Ainda lhe sobrou tempo para ver os filmes em exibição e comprar os bilhetes com alguma antecedência, antes que apanhasse uma fila enorme. Estava concentrado a olhar para o cartaz dos filmes que iriam entrar em exibição quando lhe tocaram no ombro. Era Ela, conhecia bem o seu toque e foi-lhe impossível não sorrir. Virou-se e ficou deslumbrado com a sua beleza.
- Uau - Não é que ela não estivesse sempre bonita, mas estava ainda mais, parecia ficar cada vez mais bela, de cada vez que a via.
Beijou-a e abraçaram-se. Por momentos esqueceu de que iam para o cinema a seguir. Aliás, esqueceu-se de tudo o que estava a sua volta, do passado ou futuro, apenas existia aquele momento, apenas existia ela e a sua vontade de a abraçar com força, sem que nunca lhe passasse sequer pela cabeça larga-la. Por momentos tudo ficou bem e nada mais importava. Mas um beijo não dura para sempre, mesmo que fique para sempre na memória.
- Compraste os bilhetes?
- Sim - respondeu retirando-os do bolso das calças.
Deram as mãos e foram até à sala do seu filme. Sentaram-se num lugar aconchegante, não ligando ao numero que estava nos seus bilhetes. A publicidade tinha acabado de começar quando desistiu de tentar resistir a Auri.
-Tu és insaciável - disse-lhe ela quando lhe beijou o pescoço calorosamente.
-Quero-te tanto, meu anjo - sussurrou-lhe ao ouvido.
Olharam-se nos olhos e percebeu que ele não era o único a querer. E, depois de fugir aos seus beijos, foi ela quem o beijou. As suas mãos começaram a agir por conta própria e enquanto ela tirava o casaco já estavam por baixo do seu vestido, junto às ancas. Beijou-a ainda mais. Não conseguia parar. Até que, subitamente....
- Se querem fazer essas poucas vergonhas, fiquem em casa! Se continuarem no marmelanço chamo o segurança, ao menos sejam discretos e não façam sons! - gritou um homem de umas filas mais abaixo. - Crianças pá! - completou enraivecido.
Pararam constrangidos. Auri até voltou a vestir o casaco. Aparentemente o filme já estava a começar. Nenhum dos dois tinha dado conta."Nós não moramos na mesma casa" pensou em dizer. Mas o homem tinha razão, aquele não era o local. O que lhe deu uma ideia interessante.
Viram o filme quase sem conversar, pelo menos até ao intervalo. Depois, novamente, não conseguiram resistir um ao outro, mas desta vez contiveram-se um pouco mais. O suficiente pelo menos. A segunda parte do filme foi mais interessante e já não se sentiam constrangidos, mesmo o homem continuando a olhar para trás de cinco em cinco minutos. Para dizer a verdade, embora ele pudesse ter um pouco de razão inicialmente, já o começava a irritar. Optou por não ligar, preferindo não estragar o encontro com a sua namorada por causa de um atrasado qualquer. Saíram do cinema quase à meia noite, portanto já não era possível comprar comida, ou o que quer que fosse, no forum, de forma que abandonaram o centro comercial e apanharam um autocarro. Resolveu acompanhar Auri literalmente até casa, visto que a hora já era tardia e nunca se sabia bem o que poderia acontecer numa noite de verão a uma rapariga sozinha.
- Alguma vez acampas-te? - Perguntou Hélio pelo caminho.
- Não... e tu?
- Também não... Mas gostava de o fazer...
- É, eu também... Nunca tive tempo ou oportunidade até agora...
- Queres ir acampar? Comigo?...
- Quando? - Respondeu ela com um sorriso.
- Não sei, amanhã? - Disse ele sorrindo também. Era bastante complicado não estar sempre a sorrir na presença dela.
- Não é um bocadinho de nada repentino?...
- Um pouco, mas pode ser depois de amanhã, não há problema! - Gracejou.
- Está bem.
O seu coração acelerou mais um pouco. Por este andar ia ficar com pressão alta. Não pensou que ela fosse dizer que sim, mas na verdade, porque não haveria? Ia ser fantástico.
Entretanto chegaram a casa de Auri. Como ela dissera antes de saírem do autocarro, era mesmo perto da paragem e não iria encontrar ninguém pelo caminho, mas preferiu prevenir de qualquer das formas, mesmo agora tendo de voltar para trás e tendo de esperar quase meia hora pelo próximo autocarro. Chegaram a porta, abraçaram-se, beijaram-se, perderam um pouco a noção do tempo e afastaram os seus corpos devagar, por mais que estes se atraíssem mutua e involuntariamente, até que ficaram apenas de mãos dadas.
- Até amanhã, Auri.
- Até amanhã...
- Não te esqueças do nosso acampamento... - disse começando a largar-lhe a mão e começando a fazer o caminho que acabaram de fazer.
- Hélio! - Chamou depois de dar dois passos.
- Sim - respondeu, virando-se automaticamente.
- Não queres entrar um pouco?...
Até.
Estava a agarrar o telemóvel quando recebeu uma mensagem dela. Estava a convidá-lo para ir ao cinema naquela noite. Obviamente que aceitou. Já não iam ao cinema há algum tempo e a ideia de estar com Auri, de preferência sozinhos, no escuro do cinema, agradava-lhe. Entretanto, ainda tinha imenso tempo até à hora combinada. Mesmo que chegasse um pouco mais cedo, para jantar junto ao cinema. Fez a coisa mais logica que poderia fazer para passar o tempo. Pegou no pc e jogou um jogo online. Nem deu pelo tempo passar, quando olhou para as horas eram quase sete da tarde. Saiu do jogo, por mais que os colegas de equipa lhe pedissem para não o fazer, provavelmente iriam falhar na missão por causa da sua ausência, desligou o pc, que ficou a fazer actualizações e foi tomar um banho rápido. Depois de se secar, quase por completo, vestiu-se à pressa, por estranho que pareça, vestiu umas calças, algo que já não fazia há algum tempo, devido ao calor, mas parecia que naquela noite ia estar fresco.
Menos de cinco minutos depois, estava na paragem de autocarro. Ainda bem que passavam autocarros quase de dez em dez minutos. Apanhou o seguinte e seguiu até ao forum. Depois, foi jantar, mesmo sendo um pouco cedo para o fazer, pois se esperasse até horas que para ele fossem decentes, iria estar muito mais caótico. Assim, jantou calmamente, comento metade de uma pizza. Ainda lhe sobrou tempo para ver os filmes em exibição e comprar os bilhetes com alguma antecedência, antes que apanhasse uma fila enorme. Estava concentrado a olhar para o cartaz dos filmes que iriam entrar em exibição quando lhe tocaram no ombro. Era Ela, conhecia bem o seu toque e foi-lhe impossível não sorrir. Virou-se e ficou deslumbrado com a sua beleza.
- Uau - Não é que ela não estivesse sempre bonita, mas estava ainda mais, parecia ficar cada vez mais bela, de cada vez que a via.
Beijou-a e abraçaram-se. Por momentos esqueceu de que iam para o cinema a seguir. Aliás, esqueceu-se de tudo o que estava a sua volta, do passado ou futuro, apenas existia aquele momento, apenas existia ela e a sua vontade de a abraçar com força, sem que nunca lhe passasse sequer pela cabeça larga-la. Por momentos tudo ficou bem e nada mais importava. Mas um beijo não dura para sempre, mesmo que fique para sempre na memória.
- Compraste os bilhetes?
- Sim - respondeu retirando-os do bolso das calças.
Deram as mãos e foram até à sala do seu filme. Sentaram-se num lugar aconchegante, não ligando ao numero que estava nos seus bilhetes. A publicidade tinha acabado de começar quando desistiu de tentar resistir a Auri.
-Tu és insaciável - disse-lhe ela quando lhe beijou o pescoço calorosamente.
-Quero-te tanto, meu anjo - sussurrou-lhe ao ouvido.
Olharam-se nos olhos e percebeu que ele não era o único a querer. E, depois de fugir aos seus beijos, foi ela quem o beijou. As suas mãos começaram a agir por conta própria e enquanto ela tirava o casaco já estavam por baixo do seu vestido, junto às ancas. Beijou-a ainda mais. Não conseguia parar. Até que, subitamente....
- Se querem fazer essas poucas vergonhas, fiquem em casa! Se continuarem no marmelanço chamo o segurança, ao menos sejam discretos e não façam sons! - gritou um homem de umas filas mais abaixo. - Crianças pá! - completou enraivecido.
Pararam constrangidos. Auri até voltou a vestir o casaco. Aparentemente o filme já estava a começar. Nenhum dos dois tinha dado conta."Nós não moramos na mesma casa" pensou em dizer. Mas o homem tinha razão, aquele não era o local. O que lhe deu uma ideia interessante.
Viram o filme quase sem conversar, pelo menos até ao intervalo. Depois, novamente, não conseguiram resistir um ao outro, mas desta vez contiveram-se um pouco mais. O suficiente pelo menos. A segunda parte do filme foi mais interessante e já não se sentiam constrangidos, mesmo o homem continuando a olhar para trás de cinco em cinco minutos. Para dizer a verdade, embora ele pudesse ter um pouco de razão inicialmente, já o começava a irritar. Optou por não ligar, preferindo não estragar o encontro com a sua namorada por causa de um atrasado qualquer. Saíram do cinema quase à meia noite, portanto já não era possível comprar comida, ou o que quer que fosse, no forum, de forma que abandonaram o centro comercial e apanharam um autocarro. Resolveu acompanhar Auri literalmente até casa, visto que a hora já era tardia e nunca se sabia bem o que poderia acontecer numa noite de verão a uma rapariga sozinha.
- Alguma vez acampas-te? - Perguntou Hélio pelo caminho.
- Não... e tu?
- Também não... Mas gostava de o fazer...
- É, eu também... Nunca tive tempo ou oportunidade até agora...
- Queres ir acampar? Comigo?...
- Quando? - Respondeu ela com um sorriso.
- Não sei, amanhã? - Disse ele sorrindo também. Era bastante complicado não estar sempre a sorrir na presença dela.
- Não é um bocadinho de nada repentino?...
- Um pouco, mas pode ser depois de amanhã, não há problema! - Gracejou.
- Está bem.
O seu coração acelerou mais um pouco. Por este andar ia ficar com pressão alta. Não pensou que ela fosse dizer que sim, mas na verdade, porque não haveria? Ia ser fantástico.
Entretanto chegaram a casa de Auri. Como ela dissera antes de saírem do autocarro, era mesmo perto da paragem e não iria encontrar ninguém pelo caminho, mas preferiu prevenir de qualquer das formas, mesmo agora tendo de voltar para trás e tendo de esperar quase meia hora pelo próximo autocarro. Chegaram a porta, abraçaram-se, beijaram-se, perderam um pouco a noção do tempo e afastaram os seus corpos devagar, por mais que estes se atraíssem mutua e involuntariamente, até que ficaram apenas de mãos dadas.
- Até amanhã, Auri.
- Até amanhã...
- Não te esqueças do nosso acampamento... - disse começando a largar-lhe a mão e começando a fazer o caminho que acabaram de fazer.
- Hélio! - Chamou depois de dar dois passos.
- Sim - respondeu, virando-se automaticamente.
- Não queres entrar um pouco?...
Até.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Deplorável
Trabalhar com o publico alvo de uma forma tão direta não é pêra doce, especialmente um público tão complicado. Perco a conta às vezes que me apetece puxar a mão atrás e resolver as coisas como deveria ser em tempos. Parece que esta nossa estúpida noção do "não à violência" em vez de nos tornar mais civilizados apenas nos tornou mais mal educados. Anteriormente, antes de existir toda esta democracia e esta ideia de que quando algo de mal acontece chamamos a policia e eles hão-de fazer alguma coisa em relação a isso, uma pessoa tratava-nos de uma forma inapropriada, tratava-mos do assunto na hora. Quer fosse diplomaticamente ou à "Tuga" que implica ir até lá fora e partir uns dentes, ou assim. E esta nossa falta de reação leva a outras questões, ainda mais graves. Porque uma coisa é uma pessoa ser mal educada, ou estúpida até para comigo e não fazer nada, outra é essa mesma pessoa por algum motivo passar-se e agir de forma violenta e ninguém fazer nada. Que seria o mais provável que acontecesse.
O que me leva a pensar. Considerando que me ando a passar que que possuo um desequilibro psíquico descomunal, se me passar de vez, e puxar a mão atrás para resolver as coisas, mesmo não resolvendo nada, quantos deixaria eu estendidos pelo chão até que alguém se lembrasse que se calhar era melhor impedir-me de matar toda a gente?... Claro, os seguranças servem para isso, mas tirando eles, o mais provável é que demorasse até que alguém se apercebesse e finalmente tomasse partido de alguma das partes.
Tudo isto, toda esta situação, toda esta coisa em que a nossa sociedade se foi transformando ao longo dos tempos, é deplorável.
Já lá vai o tempo em que éramos assaltados na rua e nos podíamos defender. Agora é "ai ai, chamem a policia" --' just... E ainda por cima, os poucos que pensam de forma diferente, defendem-se e ainda são acusados de violência!! Épico.
Até.
O que me leva a pensar. Considerando que me ando a passar que que possuo um desequilibro psíquico descomunal, se me passar de vez, e puxar a mão atrás para resolver as coisas, mesmo não resolvendo nada, quantos deixaria eu estendidos pelo chão até que alguém se lembrasse que se calhar era melhor impedir-me de matar toda a gente?... Claro, os seguranças servem para isso, mas tirando eles, o mais provável é que demorasse até que alguém se apercebesse e finalmente tomasse partido de alguma das partes.
Tudo isto, toda esta situação, toda esta coisa em que a nossa sociedade se foi transformando ao longo dos tempos, é deplorável.
Já lá vai o tempo em que éramos assaltados na rua e nos podíamos defender. Agora é "ai ai, chamem a policia" --' just... E ainda por cima, os poucos que pensam de forma diferente, defendem-se e ainda são acusados de violência!! Épico.
Até.
sábado, 26 de julho de 2014
Quem me dera...
Uma expressão que tenho usado muitas vezes ultimamente. Demasiadas. Realmente, foram mais ou menos bem utilizadas, pois possuo determinados desejos que não posso de todo atingir de momento e só mesmo por milagre ou que alguém de alguma forma os atingisse por mim e me desse a oportunidade de usufruir (é complicado falar de algo específico de uma forma tão geral, isto é o mais próximo de que me consigo aproximar sem revelar demasiado). De volta ao ponto original, usei demasiadas vezes essa expressão e nos últimos dias, depois de me aperceber do lapso, tenho controlado mais a língua. E por que raio estou eu a escrever sobre algo tão trivial? Bem, porque detesto repetir expressões, para começar, e porque detesto esta expressão em concreto. Porque ninguém me dará nada, não realmente. A maioria das pessoas estão um pouco habituadas a que tudo lhes caia ao colo, dinheiro, viagens, saídas, ok, se calhar estou a falar maioritariamente dos jovens a quem os pais dão tudo e mais alguma coisa. Mas não estou de todo apenas a falar de meninos mimados e ricos. A maioria dos jovens não sabe mesmo o que custa a vida. Sim, sim, todos já ouvimos essa expressão, mas acaba por ser verdade. E não, eu não estou acima de ninguém. Provavelmente também não sei realmente o que custa a vida. Nunca me esforcei muito para adquirir boas notas, nunca procurei muito por um trabalho, bem, procurar procurei, só nunca encontrei nenhum perto o suficiente da minha área de residência para que valesse o esforço, de maneira que acabava sempre por ser uma procura curta. E não quero com isto dizer que nunca trabalhei na vida, trabalhei algumas vezes, alguns dias, que se forem contabilizados em horas são equivalentes a algumas semanas de trabalho de muitos funcionários que se queixam dos seus horários. Mas não fui eu que encontrei mesmo nenhum desses trabalhos, tive sempre algum tipo de intermediário e isso não sabe bem a vitória. "Ah, mas o dinheiro é que conta", sim pois é, ganhei o dinheiro com o meu esforço, mas estou a tentar provar um ponto de vista diferente. O ponto de vista de que não nos esforçamos o suficiente. Não lutamos o suficiente e não vamos alcançar o suficiente, porque existe sempre alguém que o faça por nós, de alguma maneira. Ou pelo menos, na maioria de nós. Bem, no meu caso isso já não acontece e também já não preciso que aconteça. Consigo atingir sozinho os meus objetivos, e mesmo que não consiga, ninguém o conseguirá por mim, isso é certo.
Engraçado, quando comecei a escrever, apenas queria dizer o quão farto estava desta expressão horrível. "Quem me dera estar não sei onde", "quem me dera ter o que quer que seja", "quem me dera estar com não sei quem". Ninguém me vai dar nada disso. Nunca ninguém deu. Tudo o que tenho. Tudo o que atingi. É fonte do meu esforço. Tive de lutar por tudo o que conquistei. Talvez não tenha conquistado muito, talvez por não ter tido oportunidades o suficiente, ou talvez por ter desperdiçado demasiadas delas. Talvez essas oportunidades não tenham aparecido na altura certa. O que é certo é que, pouco ou muito, ninguém conquistou nada por mim. Eu conquistei, eu lutei, ganhei, mereci, ou mesmo que tenha tido sorte em alguma coisa, whatever. Ninguém o fez por mim, e ninguém o fará.
"Fight for yoursefl"
Até.
sexta-feira, 25 de julho de 2014
O que escrever às 02:59?
O barulho na rua era estupidamente irritante. Um anormal qualquer cantava às duas da manhã, tentava fazer algo que para ele era rap ou algo do género e de vez em quando mandava uma rima fácil para o meio. De repente a luz acendeu-se no corredor. Já há muito que coloquei os auscultadores nos ouvidos, por isso os meus sentidos em relação a tudo o que me rodeia não são certamente os mais apurados. Espero ver alguém passar, alguém que tenha acendido a luz. Não passou ninguém e a luz apagou. E acendeu, e apagou e acendeu e não parou.
A casa é antiga. Não tem isolamento de som ou do que quer que seja. Não podemos esperar que a instalação elétrica seja a melhor. Ou pelo menos é isso que dizemos a nós próprios sempre que encontramos algo diferente, algo de anormal. Uma explicação lógica que explique tudo sem qualquer margem para dúvidas. Mas a luz ainda não parou de acender e apagar e para além do candeeiro daquela lâmpada parecer uma daquelas lanternas antigas dos postes ou uma lanterna de cemitério, a situação já começa a tornar-se irritante. Ou pelo menos irritante o suficiente para escrever sobre ela. Pondero em me levantar para a ir apagar, talvez se premir o interruptor ela se apague de vez e me deixe sossegado com a minha escuridão. Mas isso implica levantar-me e eu sou demasiado preguiçoso para o fazer, especialmente depois de um dia de trabalho, em que tenho de estar pelo menos oito horas de pé, claro que acabo sempre por estar mais do que isso, mas isso é outra história, para se contar noutra altura. Para além de tudo isso, sobre o que escreverei a seguir para terminar este texto se for realmente apagar a luz e nada mais acontecer?
A minha musica parou. Altura perfeita para me levantar. Já está. Luz apagada. Agora sou só eu, o meu querido pc vermelho, isto dito por alguém que anda sempre vestido de preto é impressionante, o barulho da rua, nas pausas da música, e a dita música não é?
Queria mesmo que fosse algo de interessante isto da luz XD mas é apenas um prédio velho quase junto à costa, cheio de humidade, provavelmente. Raramente cá estou, acordado pelo menos. Tenho dormido imenso ultimamente, hábito que estou a tentar perder. Deve-se notar pela hora a que estou a publicar isto!!
De qualquer das formas, não me lembro quando foi a ultima vez que uma coisa que eu quisesse importasse realmente. O que eu quero normalmente fica sempre em último plano, mesmo quando depende de mim. Eu e esta mania de colocar as pessoas de quem gosto à minha frente e de ser muito correto com as pessoas no geral tem de terminar. Já não se fazem pessoas a sim, e as que assim são, acabam por se prejudicar em relação às outras.
A verdade é que estou de mau humor. O que é interessante, porque não estou com um humor assim há já algum tempo. O pior é que não o posso descarregar de forma nenhuma porque o seu motivo é vago e na verdade parvo e estúpido, em comparação com tudo o que me vai na alma pelo menos. E pronto, estou para aqui a ver se sai qualquer coisa disto. Inicialmente ainda parecia que iria surgir qualquer ato de literatura, entretanto ficou apenas uma grande baralhação de ideias que no geral é apenas triste. E é nisto que o pseudo-futuro-escritor se está a tornar. Um gajo mal humorado que trabalha imenso por um pseudo-salário (estou a estagiar e até estou a gostar, mas pronto, é para reclamar é para reclamar, há que ser dramático) e escreve quando deveria estar a descansar. PFF. Até a mim me enjoa.
Até.
Deus da Morte.
Subitamente,
Havia estrelas no céu,
Incandescentes.
Noites como aquela, não existem.
Inspiraram fundo e,
Gemendo de satisfação e
Ardendo de desejo,
Morreram eternamente.
Imortais.
Até.
Havia estrelas no céu,
Incandescentes.
Noites como aquela, não existem.
Inspiraram fundo e,
Gemendo de satisfação e
Ardendo de desejo,
Morreram eternamente.
Imortais.
Até.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Castelos...
O castelo desapareceu.
O sol pôs-se uma vez mais,
perdeu-se.
O tempo que passou
mudou tudo,
tudo o que era suposto mudar
e tudo o que era suposto ficar.
Mas até as as folhas caem
Para deixar nascer novas flores
E novos frutos
doces e sumarentos.
É essa a questão da mudança.
Existem sempre medo
de que os novos frutos
Não sejam doces como os que comemos.
O sol nasceu para um novo dia
e derreteu, aos poucos
a neve que se formou na escuridão.
As gotas das suas lágrimas
correram para os rios
e alimentaram as raízes dos gigantes
adormecidos no seu eterno inverno.
E uma vez mais
a vida renasceu.
Como se nada tivesse acontecido.
O castelo era apenas uma ilusão,
castelos constroem-se,
aos poucos.
Não nascem do dia para a noite
Nem da noite para o dia.
E agora pego em cada pedra
e empilho-a no lugar certo,
devagar e certeira
Porque existem coisas que não se querem fazer à pressa.
Até.
O sol pôs-se uma vez mais,
perdeu-se.
O tempo que passou
mudou tudo,
tudo o que era suposto mudar
e tudo o que era suposto ficar.
Mas até as as folhas caem
Para deixar nascer novas flores
E novos frutos
doces e sumarentos.
É essa a questão da mudança.
Existem sempre medo
de que os novos frutos
Não sejam doces como os que comemos.
O sol nasceu para um novo dia
e derreteu, aos poucos
a neve que se formou na escuridão.
As gotas das suas lágrimas
correram para os rios
e alimentaram as raízes dos gigantes
adormecidos no seu eterno inverno.
E uma vez mais
a vida renasceu.
Como se nada tivesse acontecido.
O castelo era apenas uma ilusão,
castelos constroem-se,
aos poucos.
Não nascem do dia para a noite
Nem da noite para o dia.
E agora pego em cada pedra
e empilho-a no lugar certo,
devagar e certeira
Porque existem coisas que não se querem fazer à pressa.
Até.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Pássaro azul
O pássara azul voou.
Deixou-me aqui sozinho
quando mais precisava das suas asas.
Deixou apenas uma pena
Uma recordação preciosa
Cheia de magia.
Os relâmpagos rasgam o céu
e a alma dos que ficaram
treme de agonia
Mas a minha não.
A minha foi com o coração
Voou com a luz.
Só a recordação ficou.
A recordação azul diamante
que nunca quebra.
Há quem diga que as recordações mais belas
São as que entristecem mais.
Só que o mundo mudou.
Ou terei sido eu?
Não interessa.
O que importa
é que tudo está diferente.
E não fico triste com a felicidade do passado
Nem com a dor do presente.
Porque não dói.
Mesmo quando penso na liberdade
do pássaro que não está aqui
e que quero que volte.
Ele há-de retornar com toda a sua luz
trazendo a força da primavera
e o calor do seu olhar.
O calor que ainda trago ao peito
juntamente com a sua pena
e o desejo do seu ninho.
Como quero voltar a voar.
Um dia volto.
Com o pássaro azul.
Até.
Deixou-me aqui sozinho
quando mais precisava das suas asas.
Deixou apenas uma pena
Uma recordação preciosa
Cheia de magia.
Os relâmpagos rasgam o céu
e a alma dos que ficaram
treme de agonia
Mas a minha não.
A minha foi com o coração
Voou com a luz.
Só a recordação ficou.
A recordação azul diamante
que nunca quebra.
Há quem diga que as recordações mais belas
São as que entristecem mais.
Só que o mundo mudou.
Ou terei sido eu?
Não interessa.
O que importa
é que tudo está diferente.
E não fico triste com a felicidade do passado
Nem com a dor do presente.
Porque não dói.
Mesmo quando penso na liberdade
do pássaro que não está aqui
e que quero que volte.
Ele há-de retornar com toda a sua luz
trazendo a força da primavera
e o calor do seu olhar.
O calor que ainda trago ao peito
juntamente com a sua pena
e o desejo do seu ninho.
Como quero voltar a voar.
Um dia volto.
Com o pássaro azul.
Até.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Right person - part 15
Subitamente ouviu um grito que o fez saltar da cama. Auri, pensou de imediato. Saiu do seu quarto praticamente a correr, sem perder tempo sequer para acender a luz. Quando chegou ao quarto de hospedes Auri estava na cama, toda molhada no próprio suor. Parecia ter acordado de um pesadelo horrível.
- Aurora, está tudo bem? - Nem sabia porque tinha colocado a pergunta daquela forma, é claro que não estava.
Não houve tempo para respostas, saiu da cama e foi até à casa de banho para mais um vómito ensanguentado. Hélio mal teve tempo de lhe segurar o cabelo e de a apoiar enquanto vomitava. Estava imensamente preocupado, e se os comprimidos não estivessem a fazer o efeito que deveriam? Mas claro, não o iria demonstrar, não queria que ela ficasse também assustada. Já bastava estar a passar por tudo aquilo. A sua mãe chegou logo em seguida.
- Aurora, querida? Como estás? - dirigindo-se para o filho. - Vai chamar a ambulância.
- Não - respondeu com uma voz frágil - Disseram no hospital que isto iria acontecer, pelo menos mais uma ou duas vezes.
- Tens a certeza? Se for preciso nós levamos-te.
- Não, obrigada. Vou tomar mais um comprimido e beber um chá para acalmar o estômago.
- Como queiras, O Hélio vai fazer-te o chá. Toma um banho, estás completamente encharcada, minha querida.
- Obrigada Helena.
A sua namorada dirigiu-se novamente para a casa de banho para tomar um duche. Sabia que não era altura para ter aqueles pensamentos, mas por um mero segundo pensou em como seria bom ir com ela. Claro, só se permitiu a pensar nisso quando já descia as escadas para a cozinha. Aqueceu a água numa cafeteira eléctrica, despejou a agua a ferver para o bule que preparou e colocou os saquinhos. Normalmente faria um chá com ervas, mas àquela hora não tinha muita paciência. Colocou o bule num tabuleiro, duas chávenas e bolachas e subiu. Só esperava que tivesse sido lento o suficiente para que Auri já estivesse vestida e rápido o suficiente para que ela não tivesse adormecido ainda. Por sorte, ou não, teve um timing perfeito. Entrou no quarto e ela estava a limpar o cabelo com a toalha. Ela era realmente bonita. Linda até. Mesmo notando-se que estava debilitada e cansada. Colocou o tabuleiro entre ambos e começou a servir o chá nas chávenas.
- Hélio, obrigada por tudo - disse abraçando-o,assim que ele pousou a primeira chávena.
- Eu vou ficar aqui contigo, para me certificar de que ficas bem - disse servindo a segunda chávena.
- Não precisas ficar, eu já estou bem.
- Não quero ouvir nada. Eu vou ficar na poltrona que é bastante confortável.
- Nem pensar. Podes ficar aqui comigo, na cama. Eu não me importo.
Sorriu, queria ter evitado sorrir tão abertamente, mas seria impossível não o fazer. Terminaram o chá, ele quase de uma vez, pois já começava a esfriar. Deu-lhe um longo beijo na testa e deitaram-se. Abraçou-a com força enquanto ela deitou a cabeça no seu peito. Amava mesmo aquela rapariga.
Adormeceram mais depressa do que conseguiram dar conta.
************
Passou uma semana desde que dormiram juntos. Finalmente Auri estava de boa saude, os vómitos e as dores pararam, por isso, deixou de existir motivo para que ela continuasse em casa de Hélio, por mais que este quisesse que ela ficasse. Não queria nada que ela fosse embora. Nada mesmo. E ela estava naquele momento a fazer as malas. Tinha gostado imenso que ela ali tivesse passado uns dias, mesmo que tivesse sido por um dos piores motivos que se pudesse esperar. Foi beber água. Não é que estivesse com muita sede, mas não sabia o que haveria de fazer. Não lhe apetecia fazer nada.
Estava a ser estupido e infantil, claro. Não era por ela sair de sua casa que deixaria de a ver. Tinha de ver as coisas pelo lado positivo. Ela já estava bem e já só faltava uma semana para terminarem as aulas. Podiam aproveitar bastante bem o tempo depois disso. Resolveu ir ter com ela, mesmo ela estando a preparar as suas coisas. Encaminhou-se até ao quarto de hóspedes e parou quando ouviu uma conversa lá dentro.
- ... Helena sabia. Ao Hélio nunca fomos capazes de dizer. Nunca pensei que o destino fosse de tal maneira macabro ao ponto de te trazer para a minha vida desta forma - estava o seu pai a dizer.
- Nunca foram capazes de dizer o quê? - Perguntou irritado abrindo a porta de rompante.
Detestava que lhe escondessem as coisas, especialmente coisas importantes. E aquilo parecia ser uma coisa bastante importante. A sua namorada parecia chocada ao mesmo tempo que enraivecida. O seu pai parecia quase tão abatido como quando estava preso.
- Hélio... Lamento imenso... Só te queríamos proteger...
- Proteger de quê? O que é que não me contaram? O que é que se passou?!
Nenhum dos dois parecia querer responder. Na verdade, Auri estava quase à beira das lágrimas. Não fazia ideia do que se passava e isso começava a irritá-lo verdadeiramente.
- Esta não é a melhor altura para falarmos do assunto, provavelmente...
- Provavelmente o quê pai? Não existe uma melhor altura para nada! Agora tens de contar.
Sentou-se na cadeira e esperou que Hélio se sentasse tambem.Sentou-se ao lado de Auri, na sua cama, que estava apenas chocada com tudo aquilo. Mesmo depois de se sentar, teve de esperar e estava prestes a começar a falar quando o seu pai começou.
- Há três anos... Quando tive todos aqueles problemas e fui preso...
- Sim, por causa do acidente e das mercadorias roubadas...
- Não... nós mentimos-te Hélio... As mercadorias que eu transportava não eram roubadas, não foi por isso que eu fui preso e tive de fazer serviço comunitário...
- Então? - Subitamente uma enorme raiva apoderou-se dele e apertou a mão da sua namorada com mais força.
- A verdade é que eu estava atrasado. Ia um pouco com velocidade a mais para a carga excessiva que trazia lá atrás. Estava a chover... Foi tudo tão rápido...!
Agora era o seu pai que parecia que ia chorar. Entretanto Aurora já estava a chorar abraçada ao seu braço. Não percebia. Não entendia porque lhe mentiram e não entendia porque isso estava relacionado com a sua namorada.
- O que é que foi rápido! Conta de uma vez, estou farto de fazer figura de ignorante!
- Despistei-me, tentei travar, mas apenas fez com que o camião deslizasse mais! Ia bater contra um carro que estava à minha frente! Olhei, quase como se o tempo parasse, eu vi duas crianças a espreitar para trás no banco do carro e desviei-me para o outro lado. Com toda a força guinei o volante, bati no separador da estrada, rompi-o até ao outro lado e acertei numa mota que ia a passar...
-Numa mota... - começava a entender aquelas palavras... Sabia que tinha existido um acidente, mas não fazia ideia que existia mais alguém envolvido. - Quem é que estava nessa mota!?
- O meu irmão! - disse Auri com as lagrimas a correr em bica.
O seu coração parou um segundo.
- E a Aurora também estava na mota... Foi um milagre ter sofrido tão poucos danos... físicos pelo menos.
- O que é que aconteceu ao irmão dela? Ele não...?
Não queria acreditar. Não podia ser verdade. O seu pai não podia ter morto uma pessoa, especialmente não o irmão da sua namorada. Não podia!
- Não sobreviveu... - Respondeu o pai com as lágrimas a começar a correr.
- E acharam que isso não era importante o suficiente para me contarem? - Explodiu - Como é que me podem ter escondido uma coisa destas?! - Levantou-se e começou a andar às voltas - como é que?..
- Desculpa Hélio... Desculpem os dois.
- Achas que passados três anos é um pedido de desculpas que vai fazer diferença!? Sinceramente! Por que é que não me contaram!? Nem consigo olhar para ti pai!
Pegou na mão de Auri e sairam ambos do quarto. A sua mãe estava na cozinha e veio à porta quando sairam de casa. Não conseguia continuar ali. Não podia.Apanharam um autocarro que estava quase vazio e sairam umas paragens mais à frente. Só pararam quando chegaram ao parque.
- Desculpa Auri... - disse abraçando-a.
Estava a ser estupido e infantil, claro. Não era por ela sair de sua casa que deixaria de a ver. Tinha de ver as coisas pelo lado positivo. Ela já estava bem e já só faltava uma semana para terminarem as aulas. Podiam aproveitar bastante bem o tempo depois disso. Resolveu ir ter com ela, mesmo ela estando a preparar as suas coisas. Encaminhou-se até ao quarto de hóspedes e parou quando ouviu uma conversa lá dentro.
- ... Helena sabia. Ao Hélio nunca fomos capazes de dizer. Nunca pensei que o destino fosse de tal maneira macabro ao ponto de te trazer para a minha vida desta forma - estava o seu pai a dizer.
- Nunca foram capazes de dizer o quê? - Perguntou irritado abrindo a porta de rompante.
Detestava que lhe escondessem as coisas, especialmente coisas importantes. E aquilo parecia ser uma coisa bastante importante. A sua namorada parecia chocada ao mesmo tempo que enraivecida. O seu pai parecia quase tão abatido como quando estava preso.
- Hélio... Lamento imenso... Só te queríamos proteger...
- Proteger de quê? O que é que não me contaram? O que é que se passou?!
Nenhum dos dois parecia querer responder. Na verdade, Auri estava quase à beira das lágrimas. Não fazia ideia do que se passava e isso começava a irritá-lo verdadeiramente.
- Esta não é a melhor altura para falarmos do assunto, provavelmente...
- Provavelmente o quê pai? Não existe uma melhor altura para nada! Agora tens de contar.
Sentou-se na cadeira e esperou que Hélio se sentasse tambem.Sentou-se ao lado de Auri, na sua cama, que estava apenas chocada com tudo aquilo. Mesmo depois de se sentar, teve de esperar e estava prestes a começar a falar quando o seu pai começou.
- Há três anos... Quando tive todos aqueles problemas e fui preso...
- Sim, por causa do acidente e das mercadorias roubadas...
- Não... nós mentimos-te Hélio... As mercadorias que eu transportava não eram roubadas, não foi por isso que eu fui preso e tive de fazer serviço comunitário...
- Então? - Subitamente uma enorme raiva apoderou-se dele e apertou a mão da sua namorada com mais força.
- A verdade é que eu estava atrasado. Ia um pouco com velocidade a mais para a carga excessiva que trazia lá atrás. Estava a chover... Foi tudo tão rápido...!
Agora era o seu pai que parecia que ia chorar. Entretanto Aurora já estava a chorar abraçada ao seu braço. Não percebia. Não entendia porque lhe mentiram e não entendia porque isso estava relacionado com a sua namorada.
- O que é que foi rápido! Conta de uma vez, estou farto de fazer figura de ignorante!
- Despistei-me, tentei travar, mas apenas fez com que o camião deslizasse mais! Ia bater contra um carro que estava à minha frente! Olhei, quase como se o tempo parasse, eu vi duas crianças a espreitar para trás no banco do carro e desviei-me para o outro lado. Com toda a força guinei o volante, bati no separador da estrada, rompi-o até ao outro lado e acertei numa mota que ia a passar...
-Numa mota... - começava a entender aquelas palavras... Sabia que tinha existido um acidente, mas não fazia ideia que existia mais alguém envolvido. - Quem é que estava nessa mota!?
- O meu irmão! - disse Auri com as lagrimas a correr em bica.
O seu coração parou um segundo.
- E a Aurora também estava na mota... Foi um milagre ter sofrido tão poucos danos... físicos pelo menos.
- O que é que aconteceu ao irmão dela? Ele não...?
Não queria acreditar. Não podia ser verdade. O seu pai não podia ter morto uma pessoa, especialmente não o irmão da sua namorada. Não podia!
- Não sobreviveu... - Respondeu o pai com as lágrimas a começar a correr.
- E acharam que isso não era importante o suficiente para me contarem? - Explodiu - Como é que me podem ter escondido uma coisa destas?! - Levantou-se e começou a andar às voltas - como é que?..
- Desculpa Hélio... Desculpem os dois.
- Achas que passados três anos é um pedido de desculpas que vai fazer diferença!? Sinceramente! Por que é que não me contaram!? Nem consigo olhar para ti pai!
Pegou na mão de Auri e sairam ambos do quarto. A sua mãe estava na cozinha e veio à porta quando sairam de casa. Não conseguia continuar ali. Não podia.Apanharam um autocarro que estava quase vazio e sairam umas paragens mais à frente. Só pararam quando chegaram ao parque.
- Desculpa Auri... - disse abraçando-a.
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Right person - part 14
Depois de Auri adormecer, para dizer a verdade, várias horas depois de ela adormecer e da funcionária ter ido embora, praticamente expulsaram-no do hospital. Apanhou um autocarro que nem sequer sabia que existia àquela hora e foi para casa. Demorou mais de uma hora a chegar e já era quase de dia quando entrou em casa.
- Hélio Manuel! Onde é que tens andado? - Perguntou-lhe a sua mãe assim que entrou em casa.
Oh f*ck! Esquecera-se completamente de avisar os pais, agora estava metido num grande sarilho. Ainda por cima a sua mãe ficou acordada até àquela hora matutina por sua causa. Sentia-se bastante mal, pior ainda que antes.
- Desculpa mãe... eu devia ter avisado... mas aconteceram tantas coisas... - começou.
- O que é que pode ter acontecido para nem sequer um telefonema teres feito!? - interrompeu ela irritada.
E então, contou tudo o que aconteceu. Contou da sua relação com Auri, evitando pormenores, evidentemente, contou do sucedido na escola, das horas no hospital e que ela não tinha ali ninguém que a pudesse ter apoiado naquele momento. Surpreendentemente a sua mãe, depois da sua explicação abraçou-o e ofereceu-se para ir buscar a sua namorada ao hospital e disse até que ela poderia ali ficar uns dias, até recuperar. Passado um pouco, o seu pai acordou e já estava pronto para se juntar à festa para desancar Hélio quando Helena lhe contou toda a história.
Tomaram o pequeno almoço, Hélio tomou um banho e trocou de roupa, enquanto os seus pais ligavam para os seus trabalhos e inventaram uma desculpa para não irem, e foram todos até ao hospital. Quando chegaram, achou por bem falar sozinho com Auri primeiro, para o choque não ser tão grande e ela não ter tantas probabilidades de recusar. Quando a encontrou, estava com muito melhor aspeto que no dia anterior, menos pálida e com uma luz diferente. Desta vez já a beijou nos lábios, mesmo que ao de leve. Tinha medo que ela ainda estivesse demasiado fraca. Contou-lhe então a sua conversa com os seus pais e que eles se ofereceram para a levar lá para casa. A principio ela recusou, claro. No lugar dela faria exatamente o mesmo, provavelmente. Mas depois lá a convenceu. Depois apresentou-os. Foi um pouco constrangedor. Nunca tinha apresentado uma namorada aos seus pais anteriormente. Correu tudo relativamente bem, do seu ponto de vista. A caminho de sua casa, passaram por casa de Auri para que ela tomasse um banho e fosse buscar as suas coisas. Quase entrara com ela, mas pareceria demasiado mau ir sozinho com ela, com os seus pais ali, sabendo que ela ia tomar um banho. Mesmo ela estando debilitada, não deixavam de ser namorados e adolescentes, aos olhos dos pais pelo menos. Chegaram a sua casa por fim. Quando entraram, a sua mãe foi a primeira a falar.
- Hélio Manuel! Onde é que tens andado? - Perguntou-lhe a sua mãe assim que entrou em casa.
Oh f*ck! Esquecera-se completamente de avisar os pais, agora estava metido num grande sarilho. Ainda por cima a sua mãe ficou acordada até àquela hora matutina por sua causa. Sentia-se bastante mal, pior ainda que antes.
- Desculpa mãe... eu devia ter avisado... mas aconteceram tantas coisas... - começou.
- O que é que pode ter acontecido para nem sequer um telefonema teres feito!? - interrompeu ela irritada.
E então, contou tudo o que aconteceu. Contou da sua relação com Auri, evitando pormenores, evidentemente, contou do sucedido na escola, das horas no hospital e que ela não tinha ali ninguém que a pudesse ter apoiado naquele momento. Surpreendentemente a sua mãe, depois da sua explicação abraçou-o e ofereceu-se para ir buscar a sua namorada ao hospital e disse até que ela poderia ali ficar uns dias, até recuperar. Passado um pouco, o seu pai acordou e já estava pronto para se juntar à festa para desancar Hélio quando Helena lhe contou toda a história.
Tomaram o pequeno almoço, Hélio tomou um banho e trocou de roupa, enquanto os seus pais ligavam para os seus trabalhos e inventaram uma desculpa para não irem, e foram todos até ao hospital. Quando chegaram, achou por bem falar sozinho com Auri primeiro, para o choque não ser tão grande e ela não ter tantas probabilidades de recusar. Quando a encontrou, estava com muito melhor aspeto que no dia anterior, menos pálida e com uma luz diferente. Desta vez já a beijou nos lábios, mesmo que ao de leve. Tinha medo que ela ainda estivesse demasiado fraca. Contou-lhe então a sua conversa com os seus pais e que eles se ofereceram para a levar lá para casa. A principio ela recusou, claro. No lugar dela faria exatamente o mesmo, provavelmente. Mas depois lá a convenceu. Depois apresentou-os. Foi um pouco constrangedor. Nunca tinha apresentado uma namorada aos seus pais anteriormente. Correu tudo relativamente bem, do seu ponto de vista. A caminho de sua casa, passaram por casa de Auri para que ela tomasse um banho e fosse buscar as suas coisas. Quase entrara com ela, mas pareceria demasiado mau ir sozinho com ela, com os seus pais ali, sabendo que ela ia tomar um banho. Mesmo ela estando debilitada, não deixavam de ser namorados e adolescentes, aos olhos dos pais pelo menos. Chegaram a sua casa por fim. Quando entraram, a sua mãe foi a primeira a falar.
- Querida Aurora, ficarás no quarto de hóspede, quero que te
sintas como em casa, não tem de haver qualquer tipo de embaraço ou
constrangimento.
- Muito obrigada
Helena.
- De nada. O Hélio
irá acompanhar-te ao teu quarto e mostrar-te o resto das divisões.
Levou-a até ao quarto, exatamente como a sua mãe disse e depois de fecharem a porta, abraçou-a.
- Nem acredito que estás aqui meu anjo.
- Obrigado por tudo, Hélio, nem sei como te posso agradecer, tudo o que estás a fazer por mim.
- Não tens nada de agradecer, meu anjo, sabes o quanto eu te amo.
- E eu também te amo imenso - disse puxando-o para si para o beijar.
Ainda ficava impressionado com os seus beijos. Agarrou-a ao colo o mais delicadamente possível e deitou-a na cama. Continuaram com os beijos e a abraçar-se, até que por fim, ambos adormeceram, de exaustão e relaxamento, por estarem finalmente juntos, a sós.
Right person - part 13
- É bom que fiquem esclarecidos que não andas com a Lara - Sussurrou-lhe ela ao ouvido depois do beijo.
Logo depois saiu dali, deixando-o a ele extasiado no meio das raparigas da sua turma, boquiabertas. Elas depressa dispersaram. Sentiu-se aliviado, continuava livre de raparigas chatas e ao mesmo tempo, sentia uma grande satisfação em saber que todos iriam saber da sua relação com Auri.
Minutos mais tarde, enquanto bebia um iogurte, resolvendo que tinha de colocar mais qualquer coisa no estômago, algo que não costumava fazer naqueles intervalos, Cláudia e as amigas voltaram, mas algo estava diferente, errado até. Passava-se alguma coisa.
- Hélio, vem connosco, rápido! - Exclamou ela num tom de voz fora do comum.
- Onde? Que se passa? - Respondeu, já sendo arrastado pelas três raparigas.
- É a tua namorada!
Sentiu-se feliz ao ouvir aquelas palavras. Era a sua namorada. De súbito apercebeu-se do que isso poderia querer dizer. Era a sua namorada? Que teria acontecido? Ficou bastante preocupado e teve um péssimo pressentimento.
- Que aconteceu? - perguntou acelerando o passo.
Nenhuma delas chegou a responder. Quando chegaram à entrada da casa de banho das raparigas, entrou de rompante, não ligando ao facto de nunca ali ter entrado. Uma continua estava ali, sem saber o que fazer.
- Já ligaram ao 112? - Foi a primeira coisa que se lembrou de perguntar assim que viu a sua namorada estendida no chão repleto de vómito e sangue.
- Não... - respondeu a continua.
- E está à espera de quê?! - Exclamou um pouco exaltado.
A funcionária da escola saiu da casa de banho deixando-o sozinho com Auri e as restantes raparigas. Aparentemente ainda não havia nenhum alarido acerca do sucedido. Correu para a sua namorada e molhou-lhe o rosto com agua da torneira. Ela estava pálida e a sua respiração era lenta e de certa forma anormal. Estava bastante assustado e não sabia bem o que fazer. Mas tinha de fazer algo, não a podia deixar ali assim. Preparou-se para a levantar dali. Aquele chão estava frio e não lhe podia estar a fazer bem.
- Que estás a fazer? Ela desmaiou, pode ter batido com a cabeça, ou ter partido qualquer coisa, não a podes levantar! Podes fazer pior! - Disse uma das amigas de Cláudia, da qual não se estava a lembrar do nome.
Ela tinha razão, claro. Molhou alguns papeis daqueles que serviam apenas para limpar as mãos e limpou o rosto da sua amada. Em seguida colocou alguns papeis húmidos na sua testa que estava bastante quente. Claro que não valeu de grande coisa, passado um pouco veio um novo vómito ensanguentado. Felizmente, a funcionária voltou, trazendo consigo os bombeiros que pegaram nela com cuidado e a colocaram numa maca. Por um momento Auri levantou a mão e estendeu-a em direção a si, mas depressa voltou a desfalecer.
Ele e a funcionária foram com ela na Ambulância. Ela porque era a responsável, em teoria pelo menos, ele porque era considerado a pessoa mais próxima que ela tinha ali. Depois, no hospital, obviamente, deixaram-nos na sala de espera enquanto ela foi encaminhada para uma sala de tratamentos no serviço de urgência. Hélio já não conseguia ficar quieto na cadeira e depois de uma hora, já tinha perguntado várias vezes no balcão se já sabiam de alguma novidade do estado da namorada.
- Nós quando soubermos de alguma coisa avisamos. Não podes estar sempre a vir aqui perguntar. Não te preocupes, vai ficar tudo bem, isto são coisas que demoram tempo... vá. - disseram-lhe depois da sexta tentativa em obter informações.
Já era de noite e Hélio já não tinha energia nas pernas, quando finalmente uma enfermeira lhe veio dar alguma noticia.
- Boa noite. Está aqui algum parente ou algum conhecido da menina Aurora? - perguntou ela bastante amavelmente.
- Sim - respondeu saltando da cadeira.
- Trago boas noticias. A Aurora já se encontra bem e está acordada.
- Posso ir vê-la? - Perguntou aliviado mas ainda não acreditando totalmente na palavra da enfermeira.
- Sim, podem. Peço-vos é que não a façam falar muito pois ela está muito fraca.
- E sabe-nos dizer o que ela tem? - Perguntou a funcionária, mostrando algum interesse pela primeira vez.
- A Aurora tem uma úlcera gástrica, que pelo que analisamos
já não é recente. Soubemos que ela deixara de tomar os medicamentos algum tempo
mas soubemos também que ela fuma e desconfiamos que tenha sido esse o motivo
para a úlcera ter voltado a trazer-lhe problemas. Mas ela vai ficar bem, isto
se deixar de fumar e tomar mais alguns medicamentos por algum tempo.
Depois de ouvir a resposta, quase correu pelo hospital para chegar ao quarto de Auri. Quando chegou, ela estava deitada de barriga para cima, vestida com uma daquelas roupas horriveis com que vestem os doentes sempre que ficam internados, com os olhos fechados e meia tapada com uma colcha fina. Ela estava pálida e amarelecida e ainda tinha marcas de vomito na face. Detestava hospitais por isso. Tratavam do essencial e depois deixavam pormenores fundamentais para trás. Assim que entrou ela abriu os olhos e desatou a chorar.
- Oh meu anjo - Disse-lhe, tentando disfarçar e emoção - Pensei que te ia perder.
Beijou-a ao de leve na testa, não queria que ela fizesse esforços, ao que ela respondeu com uma doce caricia na sua face. Definitivamente, não a ia deixar nunca.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
De que cor são os sonhos?
De que cor são os sonhos?
Não consigo dizer...
De que cor são os olhos dela?
De que cor é a magia?
Um sorriso inocente e apaixonado
Um beijo caloroso
Um abraço apertado
Um toque fogoso
Que cor é esta que preenche a alma?
As cores do mundo não chegam para a pintar...
De que cor são os sonhos?
Das cores que os quiseres pintar!
domingo, 6 de julho de 2014
Right person - part 12
Depois daquele pequeno-almoço Decidiram Ficar em casa
de Hélio e almoçar juntos, embora Auri estivesse um pouco relutante em fazê-lo
inicialmente. Pediram uma pizza, que não demorou muito tempo a chegar e
comeram-na bem juntinhos. Em seguida, muito a custo, foram para a escola. Não
que importasse muito onde estavam, desde que estivessem juntos, mas ainda não
tinham falado de como iriam comportar-se na escola. Se iriam encontrar-se em
todos os intervalos, almoçar sempre juntos, ou se continuariam a fazer tudo
como faziam normalmente. Não que isso tivesse muita importância, considerando
que as aulas estavam prestes a terminar. Uma coisa era certa, iam juntos para a
escola. Apanharam o autocarro e foram.
Depois de algumas paragens, desceram do autocarro e
seguiram o resto do caminho a pé, resto do caminho era o que Auri dizia, porque
na verdade eram uns meros metros. Passaram o portão de mãos dadas e pararam,
olhando um para o outro.
− Estou
atrasada para a aula… −
Disse ela.
Percebeu
então que ela não queria particularmente que as pessoas soubessem da sua
relação, provavelmente tinha medo do que poderiam dizer.
−
Eu também devo estar…
Soltaram
as mãos. Como lhe custava aquele gesto. Queria ir com ela, para onde quer que
ela fosse. E isso incluía a aula mais secante que se pudesse dar naquela
escola. Mas novamente, não se podia ter tudo.
−
Auri.
Ela
virou-se em resposta e Hélio agarrou-a pela cintura e beijou-a com ternura. Não
podia ir com ela, nem a podia levar consigo, mas podia roubar-lhe um ultimo
beijo, apenas para conseguir suportar todas aquelas aulas. Quando se separaram,
segundos depois, os olhos dela sorriam.
−
Aqui não… As pessoas vão reparar…
−
Eu sei, não te preocupes. Até logo.
−
Até logo.
O
dia ainda lhe pareceu ser mais longo depois de se separarem. Tinha uma enorme
vontade de estar constantemente com ela ao invés de aturar aqueles professores
chatos! E mesmo nos intervalos, a situação muitas vezes se tornava complicada.
Quase ao final do dia, quando já quase não suportava mais aquilo, uma rapariga
da sua turma veio meter conversa consigo. Já tinha observado a Cláudia antes.
Era uma rapariga relativamente bonita, alta e morena e dava-se com as restantes
raparigas populares da sua turma desde o início do secundário. Definitivamente,
não queria ter nada a ver com ela, especialmente agora.
−
Hélio, é verdade que acabaste com a filha do diretor? – Começou.
Novamente
aquele boato. Aquele boato que sempre lhe garantira estar longe daquelas
raparigas chatas. Mas agora já não fazia sentido manter aquele boato inútil.
−
Na verdade, nunca tive nada com a Lara…
−
Nunca tiveste nada com ela?... Mas desde sempre que se diz que são namorados…
Eu já vos vi algumas vezes juntos.
−
Somos apenas amigos – respondeu ocultado o grau de parentesco.
−
Bem, não importa – Disse aproximando-se dele – O que importa é que estejas
solteiro.
As
palavras fluíram-lhe lentamente pelo cérebro. Não estava a compreender.
−
Importa porquê? – Na verdade, agora não estava mesmo solteiro.
−
Bem… Não sei, no caso de existir alguma rapariga interessada talvez… − Disse
colocando-lhe uma mão no ombro.
Não
queria parecer rude, por isso controlou o impulso de a afastar automaticamente.
Resolveu dar um pequeno passo atrás, fingindo esticar as costas.
−
Pois… Suponho que sim. Mas na verdade… – Não sabia o que haveria de dizer a
seguir. Não queria nada ter a Cláudia ou qualquer uma das outras raparigas
atrás de si, por outro lado, não sabia se Auri queria que contasse que estavam
a namorar.
Surpreendentemente,
não teve de responder, sem saber exatamente de onde, Auri apareceu e colocou-se
entre eles agarrando-se ao seu pescoço e beijando-o nos lábios. Assim que ela o
fez, correspondeu-lhe agarrando-a pela cintura e toda a confusão de perguntas à
sua volta desapareceu.
Até.
School Days
Em primeiro lugar, sim, estou a falar do anime. Não faço ideia do que me levou a ver este anime, ou melhor, faço, foi ter visto não sei onde alguém comparar school days com mirai nikki. Só não faço ideia o que essa pessoa haveria de ter na cabeça. O anime tem uma história romântica praticamente até meio, em que uma miúda gosta de um miúdo e que no entanto o ajuda a conquistar outra rapariga. Aquela típica história de triângulo amoroso. Na verdade, achei muito chato. Depois o miúdo resolve que quer a rapariga que o está a ajudar, mas ao mesmo tempo não termina com a anterior que já é sua namorada. E a partir daí, ou melhor, a partir da altura em que ele perde a virgindade com a segunda namorada, já não importa com que rapariga seja, desde que seja agradável aos olhos e ao tacto. Por esta altura, para além de achar chato já me começava a dar a volta ao estomago por ver um miúdo inconsciente que não sabia o que queria para além daquilo que as moças têm entre as pernas, independentemente de quem fossem.
Pior de tudo, termina com a primeira namorada, ela fica deprimida, entretanto engravida a segunda e por consequência o bando das gajas deixa de querer alguma coisa com ele. Em vez de assumir a responsabilidade, volta para a primeira namorada, a miúda gravida, isto já no ultimo episódio, passasse da cabeça e acaba com aquilo com o pequeno auxilio de uma faca de chefe. Finalmente aconteceu alguma coisa de jeito e nem a porcaria do sangue é vermelho! E aguentei eu 12 episódios para isto! Mas pronto, depois a namorada original encontra o corpo do protagonista cabrã* e também se passa. Separa-lhe a cabeça do corpo (algo que não é mostrado) e leva-a numa mala. Depois mostra-a à assassina e mata-a também. Termina com ela e a cabeça num iate, sozinhos ao por do sol. Que romântico!
Sem duvida um dos piores animes que já vi, senão mesmo o pior. Não tem nada de interessante, nem as relações entre as personagens inicialmente despertam a atenção. A personagem principal é pura e simplesmente demasiado estúpida. Não aconselho, mas quem quiser ver com os próprios olhos, sinta-se à vontade. (não usei nomes das personagens para não fazer um total spoiler)
Até.
Pessoas mudam?
Existem pessoas com uma certa piada. Algumas de tão
patéticas que são, outras genuinamente cómicas. Provavelmente estas palavras
são apenas fruto da minha falta de inspiração e de horas dormidas. Ou talvez do
cansado, físico e emocional. Mas cada vez mais olho e me convenço de que esta
sociedade está repleta de pessoas patéticas. Sinceramente, isto dá-me a volta
ao estomago. Não que isso seja relevante.
Nota pessoal, para todos os que se dignam a ler este
meu blog: Parece que desaprendi de escrever, se é que alguma vez soube, ok, se
calhar estou a exagerar, tenho perfeita noção de que em alguns momentos da
minha vida até escrevi umas coisas bastante interessantes. Sim, sim, sou
bastante egocêntrico. Whatever.
Voltando ao assunto principal, isto está mesmo
nojento. Vejo com cada coisa hoje em dia… As pessoas não têm a mínima noção, ou
não parecem ter pelo menos. Só me pergunto, porque é que abrem a boca? Ou em
alguns casos, porque é que usam o raio dos dedos para teclar. Claro, eu estou a
criticar em também digo imensa porcaria e ainda penso mais. Suponho que isso
faça de mim hipócrita. Pouco me importo com rótulos estúpidos e julgamentos sem
importância. Aliás, essas são algumas das coisas que mais detesto neste mundo, rotulagem
de todas as pessoas à nossa volta e julgamentos rápidos.
Anyway. O mundo gira. Coisas acontecem. Pessoas mudam.
Desejos mudam e mentalidades mudam. Só espero que a maioria mude para melhor,
caso contrário não sei que vai ser desta bola flutuante a que chamamos tão avidamente
nossa Terra.
Até.
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