terça-feira, 24 de junho de 2014

Right person - part 8

Chegou a casa já de noite. Quase que tinha de dar explicações aos seus pais, mas escapou-se por um triz. Tinha-se separado de Auri há já algumas horas, mas não lhe apetecia fechar-se em casa, por isso acabou por deambular pela rua até à hora de jantar. Jantou rapidamente e fechou-se no quarto. Não é que não adorasse os seus pais, mas não queria compartilhar o que se passara durante a sua tarde com eles, pelo menos não agora. Os pais têm sempre muita tendência de fazer demasiadas perguntas em relação às relações dos filhos. Portanto, assim que fechou a porta do quarto, ligou o pc e ligou à única pessoa com quem se sentia realmente à vontade de falar sobre algo daquele género, embora nunca o tivesse feito antes.
– Sim? É um bocadinho tarde, que me queres? – Respondeu Lara do outro lado, em tom de brincadeira.
– Olá! Então, isso é forma de tratar o teu priminho preferido? – Respondeu no mesmo tom.
– Obviamente. Quando ele me liga às onze da noite sem pretexto.
– Vá, deixa de ser parva! Tenho uma coisa para te contar.
– E isso alguma vez deixou de acontecer quando era eu a pedir? – gracejou – Mas conta lá! Só desta vez!
– Lembras-te de eu te ter dito que não queria namorada e de que não me incomodava com a nossa fama porque assim ao menos afastava aquelas miúdas todas?
– Sim, lembro, como se tivesses dito há umas semanas atrás.
– Pois, se calhar porque disse mesmo! Mas a questão é que mudei de ideias.
– Então queres ser mesmo meu namorado primo? Sabes que isso seria um pouco estranho… és como um irmão! – Gracejou novamente, não conseguindo conter o riso.
– Tu és impossível!
– É de família! Mas vá, diz lá o que ias dizer.
– Conheci uma rapariga… E ela é simplesmente… Nem sei, perfeita! Não consigo parar de pensar nela, desde que acordo até que me deito! Até cheguei a pensar que poderia estar doente!
– Conheço pessoas que haveriam de dizer que estás, mas não te preocupes, estás só apaixonado. Mas o que é que isso tem a ver com a nossa fama?
– Bem… digamos que eu agora pretendo ter uma namorada…
– E ela sabe disso? É que convém que saiba… Eu sei que ainda ninguém te explicou como isso funciona mas…
– Ai que parva, meu deus! É claro que sabe não é? Estive com ela hoje.
– E então? Que aconteceu? – Pela primeira vez, não estava a brincar e estava verdadeiramente interessada.
– Foi tipo, mágico. Eu beijei-a e ela beijou-me de volta e foi como se tudo à nossa volta desaparecesse. Eu nunca me senti assim antes Lara.
– Bem, estou a ver que é a sério. O que é que vocês fizeram? Onde é que foram? Oh, estou tão contente por ti Hélio, a sério que estou! Só espero que essa rapariga te mereça! Quem é ela?
– Wow… Tantas perguntas! Tem calma! A rapariga chamasse Aurora e anda na nossa escola. Mudou-se para cá há pouco tempo. Estivemos um pouco na esplanada do parque e depois fomos passear.
– Passear… sim, sei.
– Sim, passear! Foi um dos nossos primeiros encontros, no que é que ficaste logo a pensar?
– Um dos? Então houveram outros?
– Sim houveram!
– Vês, mais razão me dás! Ainda por cima, não mos contaste, por isso, é sinal que estás a tentar esconder alguma coisa não é?
– Só o pequeno pormenor de que no encontro anterior a beijei e ela me deu um estalo por pensar que eu namorava contigo…
– OMG! Ela deu-te um estalo? Bem, ao menos tem coragem a miúda!
– Sim, acho que sim.
– Mas vá, ainda não me disseste o que fizeram para além de passear. – insistiu ela.
– Para além de passear, de eu ficar a olhar para ela e de a beijar?
– Sim! Para além de tudo isso Hélio!
– Acho que não é algo que te possa contar priminha.
– Ai!! Se eu conto isso à tua mãe!
– Seria bonito sim. Mas tu também não sabes de nada e não é nada que possas estar a imaginar!
– Sim sim, sei. Mas olha, falamos melhor amanhã… tenho teste de manhã cedo e preciso mesmo de dormir. Sinto que estou a fazer direta há uma semana!
– Está bem, depois falamos. Até amanhã.
– Até amanhã – despediu-se e desligou.

Ele também deveria ter teste num dos próximos dias, mas o que sentia não o deixava dormir, por isso foi ver um episódio de uma serie na tentativa de fazer com que o sono chegasse por fim ao seu quarto. Mas o sms de Auri foi mais rápido. Finalmente ela chegara também a casa e colocara o telemóvel a carregar. A série já não importava. 

Até.

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