segunda-feira, 30 de junho de 2014

Right person - part 11

Por algum motivo não teve a melhor noite de sono que poderia esperar. Fartou-se de acordar durante a noite e a madrugada e a certa altura, já de dia, desistiu de tentar dormir mais, embora não fosse ter aulas naquela manhã porque uma professora iria faltar e sabia de fonte segura que não ia haver substituição naquela hora. Levantou-se e foi preparar o pequeno-almoço. Colocou tudo o que precisava na mesa, ou pelo menos tudo o que precisaria para fazer o que lhe estava a apetecer. Como não ia ter aulas até depois da hora de almoço, podia levar o seu tempo para cozinhar o que lhe apetecesse, mesmo para o pequeno-almoço, que normalmente tomava a correr. Repentinamente, ou pelo menos, era isso que queria que parecesse, lembrou-se que poderia convidar mais alguém para tomar aquela refeição consigo.
Sabes o que queria mesmo, Auri? – Escreveu e enviou.
− O quê? – Respondeu ela curiosa.   
− Que viesses para aqui para ao pé de mim.
Ela apenas lhe responderam com um smile envergonhado, um smile que para si sempre dissera tanta coisa.
− Vais ter aulas, agora?
− Não, ainda estava meio a dormir quando recebi a tua mensagem! – respondeu ela.
Esperava que não a tivesse chateado por a ter acordado. Supunha que não deveria ser o único com um mão acordar. Mas se fosse Auri a acordá-lo, não se importaria nem um pouco.
− A sério? E não queres vir até cá? Os meus pais ainda não chegaram, quer dizer, chegam hoje mas só logo à noite.
Desta vez a resposta não chegou imediatamente e quase começou a pensar que ela iria dizer não por ele a ter acordado tão cedo quando Auri podia muito bem ter ficado mais tempo na cama.
− Oh, não sei, H.
− Vem até cá, posso fazer-te o melhor pequeno-almoço da tua vida!
− Não me desiludas – respondeu ela por fim.
− Vou tentar – Disse-lhe colocando as mãos na massa, literalmente.
Depois de algum tempo apenas faltava uma pequena coisa para que tudo ficasse perfeito. Provavelmente a sua mãe iria matá-lo depois daquilo, especialmente depois do seu último ataque à roseira vermelha, mas precisava de mais uma flor. Agora sim, estava tudo mais que perfeito. A comida estava pronto e estava tudo preparado para receber a sua convidada especial. Só faltava mesmo ele próprio preparar-se. Arrancou o avental que tinha por cima do pijama e foi trocar de roupa. Mal teve tempo de chegar a janela quando a viu. Afinal não teve tempo necessário para vestir algo, mas não tinha importância, não era como se estivesse despido. Correu para a porta, obviamente. Tinha imensa vontade de a abraçar e beijar. Era algo que não podia mesmo contrariar.
Abriu a porta e beijou-a. Ela estava linda, como sempre. Desta vez os seus pés estavam totalmente cobertos com umas sapatilhas desportivas, usava uns jeans justos às suas pernas, um top num tom suave de verde e um casaco fino bege por cima. Deixou-a entrar e assim que fechou a porta abraçou-a, mesmo ela estando meio de costas para si, só a queria abraçar e nunca mais a largar. Logo em seguida ela virou-se para si e beijou-o. Adorava quando se beijavam e gostava ainda mais quando era Auri a tomar a iniciativa.
- Hélio… – Interrompendo o beijo – Não me deixes, nunca!
Não a ia deixar, nunca, e ela não tinha de lhe pedir. Agarrou-a pelo pescoço e beijou-a intensamente. Aquele beijo dizia bastante mais que “nunca te vou deixar”. Aos poucos, foram-se encaminhando para a sua sala. A paixão dos dois era palpável! Auri sentou-se ao seu colo quando a puxou para perto de si. Não conseguia explicar o que sentia por ela, era apenas demasiado intenso para que pudesse ser explicado. Levantou-a e deitou-a suavemente sobre o sofá sem nunca a parar de beijar. Entretanto Auri colocou as mãos por baixo da camisola do seu pijama, algo que adorou. Adorava que ela lhe tocasse, adorava senti-la assim, perto de si. Não queria sair de perto dela, do seu calor. Era demasiado bom. Quase repentinamente pararam de se beijar e ficaram apenas a olhar um para o outro com um grande sorriso no rosto. Ela era maravilhosa.
− Hélio… Amas-me?
Ficou boquiaberto. Literalmente com a boca aberta. Não estava à espera de uma pergunta daquele género, muito menos tão direta. Mas passado o choque inicial, sorriu, levantou-se e puxou a sua convidada para si.
− Posso responder-te na cozinha?
Agora era ela que estava atónita.
− Sim… acho que sim…
Continuou a segurá-la pela mão e levou-a até ao seu pequeno-almoço. Desta vez não havia tempo para vendas ou para surpresas. A mesa estava cheia de iguarias, mas essencialmente tudo se resumia a crepes, nutella e algumas compotas, leite, café e várias frutas. Olhando agora, parecia menos grandioso do que deveria, mas não podia fazer mais nada. Levou-a a sentar-me em frente a um prato que tinha um crepe com nutella por cima que formava as letras, um pouco desajeitadas diga-se a verdade, AURI.  Em frente ao prato, estava uma caneca, ainda vazia, e ao lado uma pequena jarra com uma rosa vermelha em botão com um papel dobrado encostado a esta.
− Abre.
Ela assim fez e assim que leu as palavras “Queres namorar comigo” sorriu e saltou da cadeira para o seu colo, quase o fazendo cair.
− Sim! Quero Hélio! – Exclamou de emoção.

− E sim Auri, eu amo-te – Sussurrou-lhe ao ouvido. 

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