- Que se passou? Foi assim tão mau? – Enviou as mensagens antes mesmo de
sair do fórum.
Não compreendia! Ela parecia querer tanto quanto ele e correspondeu ao
beijo dele e no entanto… A reação foi tudo menos positiva. Ainda por cima não
lhe respondia sequer. Não ia voltar a enviar mensagens até que respondesse.
Foi jogar um jogo de computador on-line, para tentar relaxar e clarear as
ideias. Claro que isso era mais fácil de dizer, neste caso pensar, do que
realmente fazer. Horas mais tarde, já depois de algumas derrotas deploráveis e
lhe ter apetecido inúmeras vezes atirar o pc pela janela, ela finalmente
respondeu.
- Ainda perguntas?
What the hell!? Será que
era suposto aquilo ter sido uma reação normal? Será que era ele que estava
equivocado? Realmente por vezes tinha uma memória um pouco estranha, mas não lhe
parecia que tivesse feito algo que exigisse tal reação!
- Sim… Acho que tenho pelo menos o direito de saber o que correu assim tão
mal…
Saiu do jogo. Já não conseguia pensar no que quer que fosse, não valia a
pena estar a deixar mal a sua equipa. Pura e simplesmente não se ia concentrar
e não tinha mais paciência. Como de costume, a resposta pareceu-lhe demorar
imenso a chegar, mas chegou.
- H, tu tens namorada! Por que é que me fizeste isto!?
Então era isso… Aquela história, outra vez. Sempre se dera bem com Lara,
que por acaso é filha do diretor da escola em que estava atualmente. Há alguns
anos, talvez não assim tantos, chegara mesmo a considerar em se tornar seu
namorado e durante um mês, quase tornou, mas a história nunca passou de uma
beijinhos e de uma boa amizade. Talvez o facto de serem família tivesse contribuído
para que as coisas não tivesse evoluído, mas a verdade é que estava bem assim,
gostava muito dela e eram bastante íntimos, mas mais como irmãos do que
propriamente como namorados. A parte má é que o boato de que eram namorados
ficou intrincado na escola, aparentemente até agora, nunca se importou muito
com isso, afastava raparigas histéricas e chatas que se tentavam atirar a ele,
mas agora estavam a afastar a única rapariga pela qual se apaixonara de
verdade.
- Auri, isto é um grande mal-entendido, eu não tenho namorada!
- Eu vi-vos juntos há uns dias, tu e a filha do diretor!
- Sim, nós somos amigos, estamos juntos muitas vezes.
- Claro que são só amigos!
- Não!
- Então admites?
- Não, para além de amigos, somos primos!
- Primos?...
- Sim, a mãe dela é irmã da minha. Podes perguntar-lhe se quiseres…
- Não é preciso mas…
Mal podia acreditar que quase perdia a rapariga de que gostava, e tinha
levado um estalo, por causa de um boato. Parecia mesmo patético!
- Vamos encontrarmo-nos, pessoalmente explico-te tudo melhor. Embora não
haja muito mais para explicar.
- Também acho que é melhor… mas já é tarde, falamos melhor amanhã!
- Ok. Até amanhã, beijos.
Quando enviou a mensagem lembrou-se do beijo e por um segundo foi quase
como se sentisse os seus lábios novamente, mas logo se lembrou da bofetada.
- Beijos… e desculpa.
Desculpava-a amanhã. A bofetada magoou mais que a cara, por mais que ela
pensasse que tinha razão.
Até.
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