segunda-feira, 30 de junho de 2014

Right person - part 11

Por algum motivo não teve a melhor noite de sono que poderia esperar. Fartou-se de acordar durante a noite e a madrugada e a certa altura, já de dia, desistiu de tentar dormir mais, embora não fosse ter aulas naquela manhã porque uma professora iria faltar e sabia de fonte segura que não ia haver substituição naquela hora. Levantou-se e foi preparar o pequeno-almoço. Colocou tudo o que precisava na mesa, ou pelo menos tudo o que precisaria para fazer o que lhe estava a apetecer. Como não ia ter aulas até depois da hora de almoço, podia levar o seu tempo para cozinhar o que lhe apetecesse, mesmo para o pequeno-almoço, que normalmente tomava a correr. Repentinamente, ou pelo menos, era isso que queria que parecesse, lembrou-se que poderia convidar mais alguém para tomar aquela refeição consigo.
Sabes o que queria mesmo, Auri? – Escreveu e enviou.
− O quê? – Respondeu ela curiosa.   
− Que viesses para aqui para ao pé de mim.
Ela apenas lhe responderam com um smile envergonhado, um smile que para si sempre dissera tanta coisa.
− Vais ter aulas, agora?
− Não, ainda estava meio a dormir quando recebi a tua mensagem! – respondeu ela.
Esperava que não a tivesse chateado por a ter acordado. Supunha que não deveria ser o único com um mão acordar. Mas se fosse Auri a acordá-lo, não se importaria nem um pouco.
− A sério? E não queres vir até cá? Os meus pais ainda não chegaram, quer dizer, chegam hoje mas só logo à noite.
Desta vez a resposta não chegou imediatamente e quase começou a pensar que ela iria dizer não por ele a ter acordado tão cedo quando Auri podia muito bem ter ficado mais tempo na cama.
− Oh, não sei, H.
− Vem até cá, posso fazer-te o melhor pequeno-almoço da tua vida!
− Não me desiludas – respondeu ela por fim.
− Vou tentar – Disse-lhe colocando as mãos na massa, literalmente.
Depois de algum tempo apenas faltava uma pequena coisa para que tudo ficasse perfeito. Provavelmente a sua mãe iria matá-lo depois daquilo, especialmente depois do seu último ataque à roseira vermelha, mas precisava de mais uma flor. Agora sim, estava tudo mais que perfeito. A comida estava pronto e estava tudo preparado para receber a sua convidada especial. Só faltava mesmo ele próprio preparar-se. Arrancou o avental que tinha por cima do pijama e foi trocar de roupa. Mal teve tempo de chegar a janela quando a viu. Afinal não teve tempo necessário para vestir algo, mas não tinha importância, não era como se estivesse despido. Correu para a porta, obviamente. Tinha imensa vontade de a abraçar e beijar. Era algo que não podia mesmo contrariar.
Abriu a porta e beijou-a. Ela estava linda, como sempre. Desta vez os seus pés estavam totalmente cobertos com umas sapatilhas desportivas, usava uns jeans justos às suas pernas, um top num tom suave de verde e um casaco fino bege por cima. Deixou-a entrar e assim que fechou a porta abraçou-a, mesmo ela estando meio de costas para si, só a queria abraçar e nunca mais a largar. Logo em seguida ela virou-se para si e beijou-o. Adorava quando se beijavam e gostava ainda mais quando era Auri a tomar a iniciativa.
- Hélio… – Interrompendo o beijo – Não me deixes, nunca!
Não a ia deixar, nunca, e ela não tinha de lhe pedir. Agarrou-a pelo pescoço e beijou-a intensamente. Aquele beijo dizia bastante mais que “nunca te vou deixar”. Aos poucos, foram-se encaminhando para a sua sala. A paixão dos dois era palpável! Auri sentou-se ao seu colo quando a puxou para perto de si. Não conseguia explicar o que sentia por ela, era apenas demasiado intenso para que pudesse ser explicado. Levantou-a e deitou-a suavemente sobre o sofá sem nunca a parar de beijar. Entretanto Auri colocou as mãos por baixo da camisola do seu pijama, algo que adorou. Adorava que ela lhe tocasse, adorava senti-la assim, perto de si. Não queria sair de perto dela, do seu calor. Era demasiado bom. Quase repentinamente pararam de se beijar e ficaram apenas a olhar um para o outro com um grande sorriso no rosto. Ela era maravilhosa.
− Hélio… Amas-me?
Ficou boquiaberto. Literalmente com a boca aberta. Não estava à espera de uma pergunta daquele género, muito menos tão direta. Mas passado o choque inicial, sorriu, levantou-se e puxou a sua convidada para si.
− Posso responder-te na cozinha?
Agora era ela que estava atónita.
− Sim… acho que sim…
Continuou a segurá-la pela mão e levou-a até ao seu pequeno-almoço. Desta vez não havia tempo para vendas ou para surpresas. A mesa estava cheia de iguarias, mas essencialmente tudo se resumia a crepes, nutella e algumas compotas, leite, café e várias frutas. Olhando agora, parecia menos grandioso do que deveria, mas não podia fazer mais nada. Levou-a a sentar-me em frente a um prato que tinha um crepe com nutella por cima que formava as letras, um pouco desajeitadas diga-se a verdade, AURI.  Em frente ao prato, estava uma caneca, ainda vazia, e ao lado uma pequena jarra com uma rosa vermelha em botão com um papel dobrado encostado a esta.
− Abre.
Ela assim fez e assim que leu as palavras “Queres namorar comigo” sorriu e saltou da cadeira para o seu colo, quase o fazendo cair.
− Sim! Quero Hélio! – Exclamou de emoção.

− E sim Auri, eu amo-te – Sussurrou-lhe ao ouvido. 

domingo, 29 de junho de 2014

Fundo Branco

Anseio por algo que não sei se existe. Fundo branco para poder colocar as cores que desejar. Mas que cores desejo eu? Apenas branco para preencher. Nada mais acalma. Um fundo branco que possa moldar, pintar e repintar. Como que uma folha nesta vida vazia. Fundo branco debaixo de céu negro. Ambos pintados com pintas opostas, ambos tocando-se no horizonte sem nunca se tocar. Anseio por algo que não existe. A utopia da pureza perdida num mundo que desconhecemos. O local onde todos os elementos se cruzam em fundo branco e preto. A magia de não existir. Mas existo. Existo para desejar o que não conheço. Existo para criar o que não existe.

Há tempos conheci algo que me acalmou. Que me fez desejar deixar o fundo branco pintado de primavera. Mas a tela nunca chega. Ficou o desejo, o desejo da minha alma pelo fundo que não existe. O fundo que estou a criar, apenas para a poder pintar. Porque o que desejo, não é um fundo branco e preto. Mas sim um fundo que possa pintar a sua cor.

Até. 

Right person - part 10

A escuridão da noite era bastante acolhedora, por isso, como sempre, não acendera nenhuma luz quando entrou em casa, pelo menos até chegar ao seu quarto. Estranhamente, este tinha a porta fechada e não apenas encostada como de costume. Provavelmente a sua mãe andara para lá à procura de roupa para lavar e fechou-a. Não tinha importância, obviamente. Abriu-a devagar e deixou cair o casaco ao chão ao ver tanta luz no seu interior. Mais de uma dezena de velas estava acesa no interior do seu quarto e havia pétalas de rosa espalhadas por todo o lado. Tinha a certeza de que tinha limpo tudo aquilo depois do encontro com Auri. Para além disso, não via sinais da manta ou das almofadas no chão, de maneira que não existia mesmo maneira de se ter esquecido. No entanto, lá estava.
Subitamente, olhou para a sua cama. Com a fraca luz providenciada pelas pequenas velas, era difícil dizer quem seria, para além de ser uma rapariga. Mas ele reconhecia-a facilmente, cada pormenor seu, cada curva do seu cabelo e até o seu cheiro. Ela saltou da cama, com toda a sua graciosidade e beijou-o com paixão. Sobre o seu corpo tinha apenas um pijama fino de verão, algo que realçava bastante todos os seus contornos suaves.
− Auri, como? Os meus pais…?
− Não te preocupes com eles – sussurrou de uma forma que quase o fazia enlouquecer.
− Mas?...
− Eles não me viram entrar – Disse antes de o voltar a beijar e o puxar para a cama.
Deixou-se ir. Como poderia não deixar? Abraçou a sua cintura com força e beijou-a de uma forma arrebatadora, ou pelo menos assim pensava. Ela entrelaçou as suas pernas à sua volta e agarrou o seu cabelo. Parecia que desta vez não ia haver um filme ou mesmo um gelado para arrefecer a sua paixão. Estavam ambos em brasa. As suas mãos começaram a agir por conta própria enquanto acariciava Auri e pouco depois estavam por baixo do pijama dela. Quando se apercebeu disso, apercebeu-se também que ela já lhe tinha arrancado a camisola. Tirou também a dela, só para que ficassem em pé de igualdade. O desejo que os dois possuíam era palpável, e tinha a certeza de que a temperatura dentro do seu quarto subira pelo menos uns cinco graus Celcius. Só esperava que os seus pais não acordassem com o calor. A sua excitação era incontrolável, então, fizeram os seus corpos rebolar e Auri ficou em cima dele. Pouco depois estavam apenas com roupa interior. Por um minuto, ficou apenas a admirá-la. Realmente, amava-a, amava-a como nunca amou ninguém, embora nunca lho tivesse dito com todas as letras. Agarrou-se a ela ainda com mais força. A luz das velas começou a tremer e acabara por se extinguir, deixando-os ali, no escuro, apenas com a luz um do outro e todo o seu calor. Tirou-lhe o sutiã cuidadosamente e em seguida as suas cuecas enquanto beijava todo o seu corpo, lenta e carinhosamente. Não queria que aquele momento terminasse nunca. Assim que lhe retirou toda a roupa interior, Auri fez de alguma forma mágica desaparecer os seus boxers e ficou em cima dela, beijando-o e agora mordendo-lhe o pescoço.
Por algum motivo que não percebeu muito bem começou a lamber-lhe o nariz, de uma forma rápida e incansável. Depois mordeu-o suavemente, quase como lhe tinha mordido o pescoço antes e então com mais força. Tanta que doeu. Acordou de um salto, que assustou o seu pequeno gato que estava em cima da sua cara a atacar-lhe o nariz e o fez fugir do seu quarto. Provavelmente iria ficar com marcas no nariz.
Estava encharcado em suor e a sua cama estava toda estrampalhada. De alguma forma tinha arrancado os cobertores e os lençóis. Raios partam o gato! Logo quando estava a chegar à melhor parte do sonho, tinha de o acordar. De súbito o seu despertador tocou. Também já não ia dormir de qualquer das formas. Levantou-se e foi para a casa de banho, para um duche frio.

Os seus sentimentos por Auri começavam a tornar-se incontroláveis.

Até. 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Right person - part 9

Os dias foram passando e não conseguia, literalmente, parar de pensar nela, noite e dia. Continuaram a conversar, claro, e viram-se na escola algumas vezes, e estiveram mesmo, de vez em quando, juntos, mas nunca tempo o suficiente. Parecia que aquelas semanas iam ser complicadas. Talvez por estarem na fase dos testes, a ultima fase de testes de todas. Ainda queria ver como iriam ser as suas notas, achava que os seus pais não iriam gostar particularmente, mas também, não tinham nada que gostar ou deixar de gostar, a responsabilidade era sua, as notas eram suas e a vida também. E a única coisa que lhe interessava naquele momento era estar com Auri. Ia ter um teste dali a pouco tempo, mas não conseguia olhar para os livros nem mais um minuto. Os seus pais tinham saído e so voltariam na segunda-feira. Era impressionante o numero de vezes que lhe deixavam a casa só para ele o fim-de-semana inteiro e nunca tinha feito nada realmente para o aproveitar. Por vezes imaginava-se fazer uma daquelas grandes festas que via os adolescentes fazerem nos filmes, mas na verdade, só conseguia pensar em ter uma pessoa ali em casa com ele. Pegou no telemóvel e escreveu.
– Queres vir a minha casa, ver um filme, Auri?
A resposta foi rápida a chegar, quase como se ela estivesse à espera que lhe perguntasse algo.
– A tua casa? E os teus pais? – Na verdade, mesmo que eles estivessem em casa, a presença de uma rapariga não seria um problema, talvez apenas um pouco embaraçoso.
– Não te preocupes, não está cá ninguém – Respondeu-lhe.
– Hum. Então a que horas?
Ponderou um pouco antes de responder. Não haveria melhor hora.
– Agora J
– Até já.
Quase não acreditava que ela aceitara o seu pedido! Especialmente de forma tão rápida. Agora que pensava nisso, nem sequer se tinha lembrado que filme poderiam ver. Mas supunha que essa seria a menor das suas preocupações. Ficou nervoso, e por momentos andou às voltas sem saber mesmo o que fazer. Tinha de começar por algum lado, por isso, arrumar o seu quarto estava no topo da lista. Não que estivesse muito desarrumado, mas a roupa que por lá tinha espalhada tinha de desaparecer. Apanhou as peças perdidas e colocou-as para lavar. Olhou para a secretária e achou melhor não lhe tocar. Não havia nada a fazer em relação a ela, a menos que tivesse imensas horas e paciência disponível. Fez a cama, olhou em volta, e finalmente já se parecia um quarto minimamente apresentável, tirando o caixote do lixo que estava cheio de papéis, algo de que tratou logo em seguida.
Começou a correr de um lado para o outro, tinha imensas coisas para preparar, apenas parou para responder a uma mensagem de auri que perguntava qual era a sua morada. Como se poderia ter esquecido de lhe dizer onde morava?
Correu para o jardim, para o quarto dos pais, para o seu quarto, para a cozinha, para o seu quarto novamente e para a casa de banho. Tinha acabado de tomar um banho rápido e de se vestir quando viu Auri ao longe pela janela. Deixou que ela o visse e correu para a porta. Parecia um miúdo de tao nervoso que estava. Estava extremamente ansioso por a ver, por lhe tocar e essencialmente por apenas estar com ela, sem mais ninguém. Voltou a correr para trás antes de abrir a porta, ainda lhe faltava algo. Aquela sua cabeça parecia sempre desordenada quando o assunto era ela. Por fim, abriu a porta e o seu coração voltou a disparar. Lá estava ela, mesmo à sua frente. Não conseguiu evitar o grande sorriso. Ela, embora parecesse feliz, estava um pouco pálida, quase como se estivesse assustada com alguma coisa.
– Auri? Estás bem?
– Sim – respondeu de uma forma pouco convincente.
– Vamos entrar? – Questionou agarrando-a pela mão – Estás com medo de entrar tontinha?
Assim que Auri fechou a porta não conseguiu resistir mais. Abraçou-a e beijou-a ao que ela correspondeu e agarrou-se ao seu pescoço. A partir desse momento não se conseguiu controlar mais. O desejo de a beijar, de lhe tocar e acariciar era demasiado forte para que pudesse resistir. Pegou-lhe nas pernas e entrelaçou-as na sua cintura e encostou-a suavemente à parece, ainda no hall de entrada. Foi Auri quem terminou com toda aquela “fogosidade”, se ela não o tivesse feito, ele também não iria ser capaz de o fazer.
– Acho que é melhor irmos ver o filme Hélio – disse ofegante.
Pousou-a lenta e suavemente no chão, como se ela fosse uma boneca de porcelana e se pudesse quebrar se fosse um pouco brusco. Não é que achasse que ela fosse frágil ou algo do género, apenas não queria nada que ela se pudesse se alguma forma magoar.
– Sim! – Expirou para se tentar recompor – Vamos lá, mas vou ter de te vendar os olhos!
– Porquê? – Perguntou surpreendida ao olhar para a venda na sua mão.
– Surpresa – Respondeu ao colocar-lha com cuidado.
Encaminhou-a com cuidado para o seu quarto. Seguiu a frente dela e literalmente teve de lhe retirar alguns obstáculos do caminho para que não tropeçasse. Algo que incluiu um brinquedo do seu gato de estimação. Chegaram à porta e teve de lhe deixar a mão por um segundo, algo que na verdade não queria fazer, mas tinha de ser para que pudesse fechar a janela e a surpresa surtisse o efeito desejado. Acendeu as velas e deixou-a retirar a venda.
Mesmo com a fraca iluminação, apenas providenciada pelas dezenas de velas acesas no seu quarto, conseguiu ver a sua cara de surpresa. Demorou uns segundos até que ela se fosse juntar a ele, na manta no chão, rodeado de almofadas e pétalas de rosa. Quando lá chegou e se aninhou junto a ele, beijou-o com ternura e abraçou-o com ainda mais afeto que antes. Soube nesse momento que tudo valia a pena. Apenas por aquele momento, nada mais importava no mundo.
– Obrigada – proferiu Auri baixinho.
– Obrigado porquê tontinha?
– Por… tudo isto…
– Não tens de me agradecer por nada Auri. Faço isto tudo porque quero. Porque te quero a ti.

E beijaram-se novamente. Abraçaram-se e ficaram ali. Apenas agarrados um ao outro, como se estivessem em mar alto e fossem a única boia salva vidas que existisse. Não a queria largar, nem para carregar no “play” do seu computador, nem para que comessem o gelado que provavelmente iria começar a derreter. Só a queria a ela. 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Maléfica

O filme da Disney saiu em 2014 e foi para mim o melhor filme da Disney que vi até aos dias de hoje. Este filme conta a história da Bela adormecida segundo o prisma da Maléfica que é a "fada má" que coloca a bela Aurora sobre aquela terrível maldição em que antes do seu 16º aniversário, esta se haveria de picar numa agulha e iria cair num sono profundo como a própria morte. Claro, aquilo que nós não sabíamos era toda a história por detrás disto. A Maléfica, ou Maleficent no original, fora outrora uma fada inocente e benigna, que eventualmente conheceu um humano e se apaixonou por ele. Esse humano, infelizmente, como é o caso de muitos humanos, tornou-se demasiado ganancioso e ambicionava ser rei. Para isso, fingiu ter morto a fada mais forte do reino das criaturinhas mágicas e roubou-lhe uma das coisas mais preciosas que poderia ter, para além de todo o sofrimento que lhe causou com a sua traição. As suas asas. E foi este acontecimento que a levou a tornar-se tão amarga e a se auto-proclamar rainha do seu reino mágico o que levou mesmo a fazer aquela maldição e a existir uma guerra entre o reino dos humanos e o seu. Claro, nada disto levou a lado nenhum. O que ela não estava à espera é que o seu coração, que fora despedaçado e congelado, haveria de voltar a aquecer e a sentir algo mais poderoso do que ela poderia imaginar, algo ainda mais forte que a sua própria magia.
A personagem principal foi interpretada pela Angelina Jolie, que posso dizer que seja uma atriz de que sempre tenha gostado. Sinceramente, não me lembro de a ter visto antes num filme da Disney, acho que lhe ficou bem mudar um pouco do que costuma ser o seu padrão, embora não se possa dizer que este filme tenha sido desprovido de ação. Os efeitos especiais também estiveram muito bem, todas as magias realizadas por qualquer uma das fadas e todas as criaturas mágicas pareciam bastante reais. Para além disso, adorei quando apareceu o dragão (sim, aparece um dragão, através de magia, mas aparece!)
Para além de tudo isto, posso também dizer que este é um otimo filme, quer para se ver sozinho quer para ver com uma boa companhia (que foi o que fiz, provavelmente com a melhor, mas claro, isso é a minha opinião)
Espero não ter feito spoiler a ninguem!
Acreditem, ainda vale a pena ir ao cinema!

Até.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Right person - part 8

Chegou a casa já de noite. Quase que tinha de dar explicações aos seus pais, mas escapou-se por um triz. Tinha-se separado de Auri há já algumas horas, mas não lhe apetecia fechar-se em casa, por isso acabou por deambular pela rua até à hora de jantar. Jantou rapidamente e fechou-se no quarto. Não é que não adorasse os seus pais, mas não queria compartilhar o que se passara durante a sua tarde com eles, pelo menos não agora. Os pais têm sempre muita tendência de fazer demasiadas perguntas em relação às relações dos filhos. Portanto, assim que fechou a porta do quarto, ligou o pc e ligou à única pessoa com quem se sentia realmente à vontade de falar sobre algo daquele género, embora nunca o tivesse feito antes.
– Sim? É um bocadinho tarde, que me queres? – Respondeu Lara do outro lado, em tom de brincadeira.
– Olá! Então, isso é forma de tratar o teu priminho preferido? – Respondeu no mesmo tom.
– Obviamente. Quando ele me liga às onze da noite sem pretexto.
– Vá, deixa de ser parva! Tenho uma coisa para te contar.
– E isso alguma vez deixou de acontecer quando era eu a pedir? – gracejou – Mas conta lá! Só desta vez!
– Lembras-te de eu te ter dito que não queria namorada e de que não me incomodava com a nossa fama porque assim ao menos afastava aquelas miúdas todas?
– Sim, lembro, como se tivesses dito há umas semanas atrás.
– Pois, se calhar porque disse mesmo! Mas a questão é que mudei de ideias.
– Então queres ser mesmo meu namorado primo? Sabes que isso seria um pouco estranho… és como um irmão! – Gracejou novamente, não conseguindo conter o riso.
– Tu és impossível!
– É de família! Mas vá, diz lá o que ias dizer.
– Conheci uma rapariga… E ela é simplesmente… Nem sei, perfeita! Não consigo parar de pensar nela, desde que acordo até que me deito! Até cheguei a pensar que poderia estar doente!
– Conheço pessoas que haveriam de dizer que estás, mas não te preocupes, estás só apaixonado. Mas o que é que isso tem a ver com a nossa fama?
– Bem… digamos que eu agora pretendo ter uma namorada…
– E ela sabe disso? É que convém que saiba… Eu sei que ainda ninguém te explicou como isso funciona mas…
– Ai que parva, meu deus! É claro que sabe não é? Estive com ela hoje.
– E então? Que aconteceu? – Pela primeira vez, não estava a brincar e estava verdadeiramente interessada.
– Foi tipo, mágico. Eu beijei-a e ela beijou-me de volta e foi como se tudo à nossa volta desaparecesse. Eu nunca me senti assim antes Lara.
– Bem, estou a ver que é a sério. O que é que vocês fizeram? Onde é que foram? Oh, estou tão contente por ti Hélio, a sério que estou! Só espero que essa rapariga te mereça! Quem é ela?
– Wow… Tantas perguntas! Tem calma! A rapariga chamasse Aurora e anda na nossa escola. Mudou-se para cá há pouco tempo. Estivemos um pouco na esplanada do parque e depois fomos passear.
– Passear… sim, sei.
– Sim, passear! Foi um dos nossos primeiros encontros, no que é que ficaste logo a pensar?
– Um dos? Então houveram outros?
– Sim houveram!
– Vês, mais razão me dás! Ainda por cima, não mos contaste, por isso, é sinal que estás a tentar esconder alguma coisa não é?
– Só o pequeno pormenor de que no encontro anterior a beijei e ela me deu um estalo por pensar que eu namorava contigo…
– OMG! Ela deu-te um estalo? Bem, ao menos tem coragem a miúda!
– Sim, acho que sim.
– Mas vá, ainda não me disseste o que fizeram para além de passear. – insistiu ela.
– Para além de passear, de eu ficar a olhar para ela e de a beijar?
– Sim! Para além de tudo isso Hélio!
– Acho que não é algo que te possa contar priminha.
– Ai!! Se eu conto isso à tua mãe!
– Seria bonito sim. Mas tu também não sabes de nada e não é nada que possas estar a imaginar!
– Sim sim, sei. Mas olha, falamos melhor amanhã… tenho teste de manhã cedo e preciso mesmo de dormir. Sinto que estou a fazer direta há uma semana!
– Está bem, depois falamos. Até amanhã.
– Até amanhã – despediu-se e desligou.

Ele também deveria ter teste num dos próximos dias, mas o que sentia não o deixava dormir, por isso foi ver um episódio de uma serie na tentativa de fazer com que o sono chegasse por fim ao seu quarto. Mas o sms de Auri foi mais rápido. Finalmente ela chegara também a casa e colocara o telemóvel a carregar. A série já não importava. 

Até.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Último cigarro

Inspirou novamente o fumo daquele cigarro tóxico. Nunca tinha feito aquilo sozinho, mas como sempre lhe diziam, havia uma primeira vez para tudo. Agora era assim que as coisas iriam ser. Era assim que a sua vida ia ser. Os pensamentos começaram a ficar muito lentos, muito rápidos, objetivos e pouco lógicos.
Sentou-se na base daquele pinheiro que tanto viu. Não ia ali sozinho há anos, especialmente à noite. Continuou a respirar aquele fumo alucinogénio. Teve de reacender o cigarro duas vezes antes de o conseguir matar. Era o último de qualquer das formas, o ultimo que tinha e o último da sua vida. Levantou-se a custo e arrancou as luvas sem dedos das mãos, para logo as atirar para cima da mesa de madeira, aquela mesa que “eles” construíram. Quando se voltou a virar para o pinheiro, podia ver o quanto cresceu pelas antigas marcas existentes no seu tronco. Lembrava-se delas bem mais em baixo. Não que isso importasse. Retirou também o casaco de cabedal preto. Podia-o ter feito quando tirara as luvas, mas sentia-se um pouco tonto para pensar com clareza.
Baixou-se e começou a escavar com as mãos, por entre as raízes da árvore. Ainda bem que o luar era forte, de outra forma nunca encontraria o que procurava. Por baixo de uma raiz, bem mais grossa do que se recordava, encontrou por fim, a caixa de metal, a começar a ficar com alguns pontos de ferrugem por conta da humidade da terra. Aquela terra que tudo reclama. Só depois de se sentar à mesa por alguns minutos teve coragem de abrir a pequena caixa. Mesmo com aquelas toxinas no seu sistema, que teoricamente o deveriam deixar mais relaxado, só com muito custo a conseguiu abrir. Sabia o que lá tinha colocado dentro. O que tinham colocado lá dentro. Fora ideia dela deixar ali a caixa e tudo o que ela simbolizava. Achou engraçado na altura, achou mais que engraçado, uma das coisas mais românticas que poderiam fazer provavelmente, embora tenham feito tantas outras, só nunca pensou que tivesse de ir ali buscar a caixa sozinho. Nunca tinha pensado nisso. Mas não poderia deixá-la ali na terra. Já lhe bastava tudo o que a terra lhe tinha reclamado.
Os dois fios de prata unidos por uma aliança do mesmo material, grossa e pesada, repousavam incólumes no interior, assim como o bilhete assinado pelos dois.

“Juntos para sempre
13 de Janeiro de 2002”


Colocou os dois fios, prova da sua união eterna, unidos pela aliança de prata que ambos descobriram, ao pescoço, e olhou para os estranhos entalhes no anel, nunca chegaram a descobrir o que significavam. Não que agora fizesse qualquer diferença. Nada mais importava. Ia vaguear sozinho naquela Terra arruinada e vazia. Colocou as luvas, vestiu o casaco, pegou na caixa com o seu último tesouro e voltou para o carro. Não aguentava mais aquele lugar. Não conseguia aguentar mais aquelas recordações. 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Right person - Part 7

Deitou-se tarde e levantou-se tarde. Tinha tido pesadelos a noite inteira, ou pelo menos a parte em que dormiu. Aquilo já não lhe acontecia há algum tempo. Saiu da cama lentamente e dirigiu-se à casa de banho para um banho tépido para despertar. Só não era mesmo frio por causa da última pneumonia, era melhor não arriscar mais. Quando voltou ao quarto deparou-se com sms da Auri no seu telemóvel, no meio de alguns outros a que não deu tanta atenção.
- Bom dia, H. Compreendo que não me queiras falar, depois do que aconteceu, mas gostava muito de estar contigo, hoje à tarde para podermos conversar.
Já tinha recebido a mensagem há quase duas horas, por isso resolveu tomar o pequeno-almoço antes de responder, claro que ia demorando tempo demais porque a sua mãe lhe ordenara que fosse despejar o lixo e passear as cadelas, mas voltou ao quarto antes de fazer tudo isso, corria o risco de responder tarde demais.
- Olá Auri. Nunca disse que não te queria voltar a falar, tanto que fui eu quem disse para nos encontrarmos. Hoje à tarde parece-me bem. E sim, precisamos mesmo de conversar.
Acabaram por decidir encontrar-se na esplanada do parque da cidade, depois do último encontro não ousaram sequer pensar em voltar ao fórum, evidentemente. Quando terminou tudo o que tinha a fazer e depois de almoçar, trocou o fato de treino gasto e rasgado que usava em casa e nas redondezas por uns calções de ganga e uma t-shirt azul escura e saiu. Novamente, teve de apanhar um autocarro. Não via a hora de ter dinheiro para comprar um carro.
Não sabia bem o que sentia em relação ao encontro com Auri. Por um lado, estava tudo o que sentia por ela, tudo o que não conseguia explicar e que lhe fazia o coração bater com força e as mãos tremer. Por outro ela dera-lhe uma bofetada baseada num estupido boato. Ninguém lhe batia na cara há anos e detestava isso. Não por uma questão física ou pela simples dor, mas pelo orgulho em si, também isso não conseguia explicar. Aparentemente havia muitas coisas que não conseguia explicar.
Para variar foi o primeiro a chegar. Pediu um café e um copo com gelo. Estava imensamente calor, mas já não conseguia passar o dia sem o seu café, especialmente tendo dormido tão pouco como ele dormira. Esperava ao menos não ter olheiras, não reparara sequer. Agora era tarde demais para se lembrar de uma coisa do género. Com o passar dos minutos foi ficando ansioso. Não gostava de esperar no geral, mas era o facto de ir estar com Auri que o deixava naquele estado.
Ela chegou pouco depois de ele ter terminado a sua bebida. Estava com uns calções de ganga clara e um top azul-bebé. Assim que a viu, ainda ao longe, foi como se fogo-de-artifício tivesse rebentado dentro de si e insistisse em não sair. Quando ela se aproximou mais um pouco, levantou-se e reparou nesse momento que ela se tinha magoado no queixo e parecia ter levado pontos. Mesmo assim, quando ela se aproximou, não disse nada. Ela parecia que ia chorar, com o queixo a tremer. Estava a partir-lhe o coração. E quando finalmente abriu a boca, a sua voz parecia frágil.
- Hélio, eu amo-te.
E foi nesse momento que tudo pareceu congelar no ar. Tudo desapareceu e nada mais importava. Que interessava se ela lhe tinha dado um estalo por conta de um mal-entendido? No final de contas seria apenas uma história engraçada. Arrancou os óculos de sol da cara sem pensar, olhou-a profundamente nos olhos, aqueles olhos castanhos que estavam mais verdes do que se lembrava de ver, aqueles olhos mágicos, enquanto avançava na sua direção, quase derrubando a mesa que tinha à sua frente e beijou-a.
Por incrível que pareça, este beijo foi ainda mais perfeito que o anterior. Nunca pensou que os lábios dela pudessem ser tão suaves e tão doces. Estranhamente, apenas não os conseguia descrever. Apenas sabia que nunca se iria fartar e não queria que aquele beijo terminasse nunca. Mas terminou, e por um segundo quase esperou por uma bofetada, mas desta vez Auri apenas o beijou novamente. Não a ia largar mais. Não se importava o que acontecesse em seguida, desde que estivesse com ela.
Quando por fim se sentaram, estavam os dois sem folego e as lágrimas dela escorriam pelos cantos dos olhos. Esperava que fossem de felicidade.
- Desculpa outra vez Hélio, eu nunca te devia ter dado aquela bofetada, mas eu pensei…
- Não faz mal, já passou – disse cortando-lhe a palavra enquanto sorria – eu sei o que pensaste, nunca me tinha importado com esse boato até agora, por isso suponho que a culpa também seja minha. Mas a Lara é mesmo minha prima e na verdade somos como irmãos…
- Agora percebo isso, nunca me deveria ter deixado levar.
Agarrou a mão dela antes de continuar a conversa. A sua pele era ainda mais suave do que esperava, ela devia ser uma fada! Ou melhor, um anjo!
- Não vamos mais falar sobre isso, já passou. Que aconteceu com o teu queixo? – Perguntou tocando-lhe ao de leve na face. Quase não resistia em lhe pregar outro beijo, mas não era altura para isso.
- Isto não foi nada…
- É alguma coisa… Tens pontos e tudo! Que se passou? – Estava genuinamente a ficar preocupado. Cruzaram-se-lhe dezenas de ideias diferentes pela cabeça, cada uma pior que a outra, mas nenhuma similar à real.
- Quando sai do fórum… depois do beijo e … pronto… sai a correr, só que estava com saltos e cai e devo ter batido em algum sítio.
Não resistiu mais tempo. Beijou-a novamente, com a esperança de lhe fazer esquecer toda a dor que pudesse ter sentido. Quando se separaram, não sabia quanto tempo depois, foi ele quem pediu desculpa. Nem queria pensar que ela se tinha magoado por sua causa.
- Foram só dois pontos Hélio, já tive pior, a sério, não te preocupes. Para além disso, a culpa foi minha, não tua.
- Ainda assim… Não consigo não me preocupar. És muito importante para mim Auri.

Sorriram e apertaram as mãos. Ele chamou o empregado de mesa, pagou o café e saíram os dois, apenas para passear no parque. Pela primeira vez em que literalmente nada mais importava para além deles. 

sábado, 14 de junho de 2014

Right person - Part 6

- Que se passou? Foi assim tão mau? – Enviou as mensagens antes mesmo de sair do fórum.
Não compreendia! Ela parecia querer tanto quanto ele e correspondeu ao beijo dele e no entanto… A reação foi tudo menos positiva. Ainda por cima não lhe respondia sequer. Não ia voltar a enviar mensagens até que respondesse.
Foi jogar um jogo de computador on-line, para tentar relaxar e clarear as ideias. Claro que isso era mais fácil de dizer, neste caso pensar, do que realmente fazer. Horas mais tarde, já depois de algumas derrotas deploráveis e lhe ter apetecido inúmeras vezes atirar o pc pela janela, ela finalmente respondeu.
- Ainda perguntas?
What the hell!? Será que era suposto aquilo ter sido uma reação normal? Será que era ele que estava equivocado? Realmente por vezes tinha uma memória um pouco estranha, mas não lhe parecia que tivesse feito algo que exigisse tal reação!
- Sim… Acho que tenho pelo menos o direito de saber o que correu assim tão mal…
Saiu do jogo. Já não conseguia pensar no que quer que fosse, não valia a pena estar a deixar mal a sua equipa. Pura e simplesmente não se ia concentrar e não tinha mais paciência. Como de costume, a resposta pareceu-lhe demorar imenso a chegar, mas chegou.
- H, tu tens namorada! Por que é que me fizeste isto!?
Então era isso… Aquela história, outra vez. Sempre se dera bem com Lara, que por acaso é filha do diretor da escola em que estava atualmente. Há alguns anos, talvez não assim tantos, chegara mesmo a considerar em se tornar seu namorado e durante um mês, quase tornou, mas a história nunca passou de uma beijinhos e de uma boa amizade. Talvez o facto de serem família tivesse contribuído para que as coisas não tivesse evoluído, mas a verdade é que estava bem assim, gostava muito dela e eram bastante íntimos, mas mais como irmãos do que propriamente como namorados. A parte má é que o boato de que eram namorados ficou intrincado na escola, aparentemente até agora, nunca se importou muito com isso, afastava raparigas histéricas e chatas que se tentavam atirar a ele, mas agora estavam a afastar a única rapariga pela qual se apaixonara de verdade.
- Auri, isto é um grande mal-entendido, eu não tenho namorada!
- Eu vi-vos juntos há uns dias, tu e a filha do diretor!
- Sim, nós somos amigos, estamos juntos muitas vezes.
- Claro que são só amigos!
- Não!
- Então admites?
- Não, para além de amigos, somos primos!
- Primos?...
- Sim, a mãe dela é irmã da minha. Podes perguntar-lhe se quiseres…
- Não é preciso mas…
Mal podia acreditar que quase perdia a rapariga de que gostava, e tinha levado um estalo, por causa de um boato. Parecia mesmo patético!
- Vamos encontrarmo-nos, pessoalmente explico-te tudo melhor. Embora não haja muito mais para explicar.
- Também acho que é melhor… mas já é tarde, falamos melhor amanhã!
- Ok. Até amanhã, beijos.
Quando enviou a mensagem lembrou-se do beijo e por um segundo foi quase como se sentisse os seus lábios novamente, mas logo se lembrou da bofetada.
- Beijos… e desculpa.

Desculpava-a amanhã. A bofetada magoou mais que a cara, por mais que ela pensasse que tinha razão.

Até.  

sábado, 7 de junho de 2014

F*ck this.

O verão está a chegar, os dias são calmos, mornos e azuis. Então porque sinto que chove aço e fogo onde que que vá? Cansado de ver tantas lágrimas. Cansado de tantas lutas. Cansado de tanto sofrimento. E no entanto, que escolha tenho? Que falso livre arbítrio é este que não me deixa escolher? Não posso apenas desistir, como toda a gente. Não quero saber se é verão, inverno, primavera ou outono. Alguém tem de lutar e acreditar, ainda que mais ninguém o faça. Mas nada é mais difícil que acreditar sozinho. Nada é mais complicado que perseguir as suas ideias quando todos nos dizem que é impossível. Pois, novidades, nada é impossivel!
Que se foda esta merda toda! Sick of this!
Porque é que as coisas não são simples! Porque é que não posso traçar uma porcaria de um objectivo, persegui-lo e pronto! Porque é que têm de aparecer obstáculos inesperados e intransponíveis!
Se é isto que é a vida!... Fodasse, quem é que quer viver isto?
Eu sou sádico. Mas até minhas personagens têm uma vida mais fácil que a minha! Trocava mil vezes de lugar com a minha personagem mais sofredora, e no entanto, o raio da realidade leva a melhor como sempre. Ou não.
Não vou deixar de acreditar. Por mais desesperado que esteja.

Até.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Dama de copas e Ás de espadas

Pegou no baralho de cartas e baralhou, pela milionésima vez naquela noite. Fez quatro montes iguais, mais coisa menos coisa e tirou duas cartas dos seus topos com os olhos fechados. Repetiu o processo até faltarem duas cartas. Virou-as e lá estavam elas novamente. Dama de copas e Ás de espadas. Que raio quereria aquilo dizer? Maldita a hora em que aprendera a tirar as cartas. Quem lhe dera saber lê-las como o seu antigo mestre. Parecia simbolizar um coração partido, mas nunca era assim tão simples.  
Pegou noutro livro, mais antigo que o ultimo e folheou. Era provável que não encontrasse nada. Aquele método não era usado em sitio algum portanto não haveriam referencias aos seus resultados num livro, por mais antigo e poderoso que fosse. Levantou-se e jogou o baralho para o meio das chamas da lareira. O que quer que fosse que as cartas diziam sobre o futuro, não podia ser mudado de qualquer das maneiras. Foi até à casa de banho e lavou a cara. Voltou para a sala e sentou-se naquela grande poltrona com caveiras a ler o jornal e a beber mais um copo de whiskey.
Novamente, não encontrou nenhum trabalho que o pudesse satisfazer monetariamente. Há anos que não vivia dos seus conhecimentos de previsão, não é que errasse, mas no seu último trabalho cometera um erro que nunca mais se iria deixar voltar a cometer. E por causa disso, uma família inteira fora assassinada. Por sua causa. Não voltaria a tirar as cartas para ninguém.
Sentiu um fio gelado no pescoço e percebeu imediatamente do que se tratava. Bebeu mais um gole da sua bebida, quase aliviado por finalmente o terem encontrado.
– Com os cumprimentos da aranha ruiva – ouviu sussurrar no momento em que a adaga foi puxada firmemente.

Sempre pensara que seria indolor e rápido, mas ainda teve tempo de sentir o sangue quente jorrar do seu pescoço antes de lhe sentir a dor e antes de não conseguir respirar. Depois de o que lhe pareceu uma eternidade, perdeu os sentidos, e não os voltou a ganhar.

Até. 

Right person - part 5

O dia seguinte custou a passar. Estranhamente quase não se falaram desde que decidiram ir ao cinema, mas não tinha grande importância, a única coisa que lhe importava é que ia estar com ela. Quando finalmente voltou a anoitecer, uma noite morna e cheia de estrelas brilhantes que ninguém mais parecia ver, não conseguia adormecer, por isso dedicou parte do seu tempo a ver uma serie no computador. Claro está que acabou por se deitar tarde como de costume, mas no dia seguinte podia dormir até tarde, afinal o cinema era apenas de tarde.
Acordou e quase saltou da cama. Olhou para o telemóvel e viu que ainda tinha imenso tempo. Tomou um banho e vestiu-se e em seguida tomou o pequeno-almoço, que na verdade parecia ser mais um almoço pela sua hora tardia. Comeu rapidamente, não porque precisasse, apenas por hábito e saiu de casa para apanhar o autocarro. Só depois de chegar ao autocarro se lembrou que não tinham sequer falado em almoçar, mas era óbvio que tinham de almoçar junto ao cinema.
– Onde vais almoçar? – Perguntou-lhe por mensagem.
Só quando estava quase a chegar ao fórum recebeu uma resposta.
– Não sei… Ao mac talvez. Porquê?
– Queres almoçar comigo? – o seu coração batia depressa quando fez a pergunta. Tinha de ter cuidado, por este andar acabava por ter problemas de tensão!
– Porque não?
E a ida ao cinema acabara de se transformar também num almoço. Estava nervoso, mais do que deveria. Não ficava assim normalmente, nem mesmo quando estava com outras raparigas, ou quando estivera em situações similares anteriormente.
– Estou ao pé do mac… – disse ela passado poucos minutos.
Quase correu até chegar às escadas rolantes para o último piso do fórum. Depois de colocar os pés nas escadas, respirou fundo e passou a mão pelo cabelo. Não queria parecer que tinha corrido para ali chegar, embora quase o tivesse feito. Chegou lá acima e dirigiu-se para o mcdonalds. A sua pulsação disparou, outra vez, e todo o seu corpo paralisou. “wow” pensou. Auri estava deslumbrante. O vestido azul com o casaco fino preto por cima, faziam-na pura e simplesmente tornar-se encantadora, ainda mais. Nunca se sentira tão atraído por uma rapariga. Para completar, aquelas sandálias com saltos altos assentavam espetacularmente bem nos seus pés perfeitos, assim como na sua altura fofinha. Mas continuavam a ser os seus cabelos encaracolados, os seus lábios minuciosamente bem desenhados e os seus olhos sedutores que lhe faziam irromper borboletas na barriga.
– Olá. Estás boa? – disse ao cumprimentá-la com dois beijos. 
Tinha acabado de trocar mensagens com ela e a primeira coisa que lhe perguntava era se estava boa! What the hell? Parecia que sempre que estava na sua presença perdia a capacidade de pensar corretamente, agir ou mesmo falar.
– Sim e tu? – Respondeu de forma pouco natural.
– Também. Vamos almoçar?
Ela apenas acenou com a cabeça e foram para a fila. Esta era longa, mas não mais que o normal àquela hora. Despacharam-se dali, furando pelo meio da multidão para finalmente encontrarem uma mesa, da qual tiveram de tirar os tabuleiros das pessoas que lá tinham estado antes. O almoço foi rápido, não tão rápido quanto o pequeno-almoço, mas tão rápido quanto dois jovens poderiam comer um hamburger. De certa forma foi quase constrangedor, estava quase a derreter com a beleza dela e quase tinha medo de ser apanhado a olhá-la de boca aberta.
Minutos depois encaminharam-se para o cinema. Ela não o deixou pagar os bilhetes os dois bilhetes, por isso comprou as pipocas para ambos. Era o mínimo que poderia fazer, visto que foi ele que a convidou. Lembra-se que foram ver um filme, mas já não se recordava do título, tinha uma vaga ideia de que seria uma comédia. A verdade é que passara quase o filme inteiro a olhar para ela. Não o fez de propósito, e tinha a certeza de que o filme era interessantíssimo, apenas não conseguia desviar o olhar.
 O filme terminou, as pipocas sobraram e a vontade de estar com ela não passou. Quem lhe dera que pudessem ficar ali para sempre. Estava na hora de se despedirem, até ao próximo encontro, propositado ou casual.
– Tenho uma prenda para ti Auri.
– Uma prenda? Porquê?...
– Para que nunca te esqueças de mim…
– Não é como se me fosse esquecer, mas está bem.
– Fecha os olhos.

Ela fechou. Ele baixou-se e aproximou-se dela. Fechou também os olhos quando os seus lábios se tocaram suavemente e se beijaram enquanto as suas mãos lhe seguraram a cintura. Não sabia se o beijo durou um segundo ou um minuto, mas subitamente ela afastou-o e bofeteou-o tão rapidamente que nem percebeu o que tinha acontecido. Logo depois ela tinha desaparecido e Hélio ficara sozinho, na entrada do cinema, com a cara vermelha e uma dúzia de pessoas a olhar para ele.

Até