Por algum motivo não teve a melhor noite de sono que
poderia esperar. Fartou-se de acordar durante a noite e a madrugada e a certa
altura, já de dia, desistiu de tentar dormir mais, embora não fosse ter aulas
naquela manhã porque uma professora iria faltar e sabia de fonte segura que não
ia haver substituição naquela hora. Levantou-se e foi preparar o
pequeno-almoço. Colocou tudo o que precisava na mesa, ou pelo menos tudo o que
precisaria para fazer o que lhe estava a apetecer. Como não ia ter aulas até depois
da hora de almoço, podia levar o seu tempo para cozinhar o que lhe apetecesse,
mesmo para o pequeno-almoço, que normalmente tomava a correr. Repentinamente,
ou pelo menos, era isso que queria que parecesse, lembrou-se que poderia
convidar mais alguém para tomar aquela refeição consigo.
− Sabes o
que queria mesmo, Auri? –
Escreveu e enviou.
−
O quê? – Respondeu ela curiosa.
−
Que viesses para aqui para ao pé de mim.
Ela
apenas lhe responderam com um smile envergonhado, um smile que para si sempre
dissera tanta coisa.
−
Vais ter aulas, agora?
−
Não, ainda estava meio a dormir quando recebi a tua mensagem! – respondeu ela.
Esperava
que não a tivesse chateado por a ter acordado. Supunha que não deveria ser o
único com um mão acordar. Mas se fosse Auri a acordá-lo, não se importaria nem
um pouco.
−
A sério? E não queres vir até cá? Os meus pais ainda não chegaram, quer dizer,
chegam hoje mas só logo à noite.
Desta
vez a resposta não chegou imediatamente e quase começou a pensar que ela iria
dizer não por ele a ter acordado tão cedo quando Auri podia muito bem ter
ficado mais tempo na cama.
−
Oh, não sei, H.
−
Vem até cá, posso fazer-te o melhor pequeno-almoço da tua vida!
−
Não me desiludas – respondeu ela por fim.
−
Vou tentar – Disse-lhe colocando as mãos na massa, literalmente.
Depois
de algum tempo apenas faltava uma pequena coisa para que tudo ficasse perfeito.
Provavelmente a sua mãe iria matá-lo depois daquilo, especialmente depois do
seu último ataque à roseira vermelha, mas precisava de mais uma flor. Agora
sim, estava tudo mais que perfeito. A comida estava pronto e estava tudo
preparado para receber a sua convidada especial. Só faltava mesmo ele próprio
preparar-se. Arrancou o avental que tinha por cima do pijama e foi trocar de
roupa. Mal teve tempo de chegar a janela quando a viu. Afinal não teve tempo
necessário para vestir algo, mas não tinha importância, não era como se
estivesse despido. Correu para a porta, obviamente. Tinha imensa vontade de a
abraçar e beijar. Era algo que não podia mesmo contrariar.
Abriu
a porta e beijou-a. Ela estava linda, como sempre. Desta vez os seus pés
estavam totalmente cobertos com umas sapatilhas desportivas, usava uns jeans
justos às suas pernas, um top num tom suave de verde e um casaco fino bege por
cima. Deixou-a entrar e assim que fechou a porta abraçou-a, mesmo ela estando
meio de costas para si, só a queria abraçar e nunca mais a largar. Logo em
seguida ela virou-se para si e beijou-o. Adorava quando se beijavam e gostava
ainda mais quando era Auri a tomar a iniciativa.
-
Hélio… – Interrompendo o beijo – Não me deixes, nunca!
Não
a ia deixar, nunca, e ela não tinha de lhe pedir. Agarrou-a pelo pescoço e
beijou-a intensamente. Aquele beijo dizia bastante mais que “nunca te vou
deixar”. Aos poucos, foram-se encaminhando para a sua sala. A paixão dos dois
era palpável! Auri sentou-se ao seu colo quando a puxou para perto de si. Não
conseguia explicar o que sentia por ela, era apenas demasiado intenso para que
pudesse ser explicado. Levantou-a e deitou-a suavemente sobre o sofá sem nunca
a parar de beijar. Entretanto Auri colocou as mãos por baixo da camisola do seu
pijama, algo que adorou. Adorava que ela lhe tocasse, adorava senti-la assim,
perto de si. Não queria sair de perto dela, do seu calor. Era demasiado bom. Quase
repentinamente pararam de se beijar e ficaram apenas a olhar um para o outro
com um grande sorriso no rosto. Ela era maravilhosa.
−
Hélio… Amas-me?
Ficou
boquiaberto. Literalmente com a boca aberta. Não estava à espera de uma
pergunta daquele género, muito menos tão direta. Mas passado o choque inicial,
sorriu, levantou-se e puxou a sua convidada para si.
−
Posso responder-te na cozinha?
Agora
era ela que estava atónita.
−
Sim… acho que sim…
Continuou
a segurá-la pela mão e levou-a até ao seu pequeno-almoço. Desta vez não havia
tempo para vendas ou para surpresas. A mesa estava cheia de iguarias, mas
essencialmente tudo se resumia a crepes, nutella e algumas compotas, leite,
café e várias frutas. Olhando agora, parecia menos grandioso do que deveria,
mas não podia fazer mais nada. Levou-a a sentar-me em frente a um prato que
tinha um crepe com nutella por cima que formava as letras, um pouco desajeitadas
diga-se a verdade, AURI. Em frente ao
prato, estava uma caneca, ainda vazia, e ao lado uma pequena jarra com uma rosa
vermelha em botão com um papel dobrado encostado a esta.
−
Abre.
Ela
assim fez e assim que leu as palavras “Queres namorar comigo” sorriu e saltou
da cadeira para o seu colo, quase o fazendo cair.
−
Sim! Quero Hélio! – Exclamou de emoção.
−
E sim Auri, eu amo-te – Sussurrou-lhe ao ouvido.
