No dia seguinte, depois de terem tomado o pequeno almoço, decidiram que iriam acampar no dia seguinte, num parque de campismo perto da praia. Saiam de manhã, de autocarro, sendo que se encontravam na paragem. Claro está, depois do pequeno almoço ligou à sua mãe a informar que tinha dormido em casa da namorada e que no dia seguinte iam acampar. Ela ainda o questionou de quanto tempo iam e para onde iam, mas não adiantou muitos pormenores. Sabia que ela continuava a ser mãe dele e continuava a adorá-la, mas estava demasiado magoado com ela.
Por isso, depois daquela chamada, resolveram almoçar juntos, mesmo ali em casa. Ajudou Auri a cozinhar. Fizeram uma comida simples, massa com carne, que no final ficou deliciosa, talvez por ambos colocarem tanto amor no que estavam a fazer. Deliciaram-se e foram passear. Era estranho como agora que tinham feito amor pela primeira vez, ainda a desejasse mais, no entanto, não queria parecer um tarado que apenas pensa em sexo, de maneira que era melhor saírem de casa e apanharem um pouco de ar. Caminharam um pouco, pela beira do rio, enquanto planeavam o que cada um deveria levar para o acampamento. Ambos decidiram levar alguma comida e agua, pelo menos para o inicio, nao sabiam exatamente onde poderiam comer ou se havia algum sitio conveniente para comprar comida, para alem de que parte da comida que ficaria em casa de Auri acabaria por se estragar dali a uns dias.
O tempo passou a correr e pouco depois de comerem um gelado, já eram 18h e tinham de ir para casa, preparar as malas. Auri voltou a pé, visto ainda ser de dia e estar mesmo ali ao lado, foi sozinha até casa, de outra forma Hélio iria com ela. Este, apanhou o próximo autocarro que também não demorou muito tempo e seguiu até à sua paragem. Mesmo a viagem sendo curta, foi o suficiente para relembrar tudo o que se passou. Não se lembrava se alguma vez ter dormido tão bem, mesmo tendo acordado de manhã, umas boas horas antes de se levantarem. Acordou com um doce beijo de Auri. Por momentos quase não acreditou que ali estivesse, mas estava e provou-o a sim próprio beijando-a e puxando-a mais para si. E assim dormiram, até decidirem que ficar mais tempo na cama seria demasiado demasiadamente pouco produtivo para tudo o que ainda queriam fazer juntos.
Chegou à sua paragem, saiu e seguiu até casa. Diretamente para o quarto. Tambem nao estava mais ninguém em casa. Arrumou um monte de roupa, maioritariamente de verão, foi até à dispensa buscar alguma comida e duas garrafas de água e empacotou tudo. No final, já incluindo a tenda que estava no fundo do seu guarda fatos, ficou com duas mochilas bastante compactadas e pesadas. Foi até ao pc e não resistiu jogar um pequeno jogo online, afinal, não ia jogar nos próximos tempos, aproveitou e deixou essa informação no seu perfil para que os seus amigos soubessem que estava off por algum motivo. Pouco tempo passou até que a porta da entrada abrisse e os seus pais chegassem. Resolveu descer, visto que tinha passado a noite fora de casa e não tinha avisado, seria no mínimo de mau tom não o fazer.
- Boa noite - disse ao descer.
- Boa noite, Hélio - responderam ambos.
- Para onde vais amanhã afinal? - perguntou a sua mãe.
- Acampar.
- Sim, mas onde? - interrogou o seu pai calmamente.
Ficou um pouco relutante em responder. Não é como se devesse realmente safisfações, já tinha feito dezoito anos, mas na verdade devia, vivia debaixo do teto deles e eram eles que o sustentavam por isso.
- Naquele acampamento perto da praia a que fomos há uns anos atrás.
- Tens comida? - continuou o seu pai.
- Sim. - respondeu secamente.
- Sabes Hélio, independentemente de tudo, eu sou teu pai e preocupo-me contigo. Não me importo que vás acampar com a Auri, mas se acontecer alguma coisa, liga-nos, sejam que horas forem, estamos entendidos?
- Sim, eu sei pai.
Passaram o resto do tempo apenas a ver televisão, num silencio incómodo. Depois jantaram, massa com carne, muito mais elaborada do que a que tinha feito ao almoço, mas nem por isso mais saborosa. Depois de jantar, um banho rápido e cama. No dia seguinte tinha um longo dia.
- Dorme bem A. Até amanhã. Amo-te. - foi a ultima sms que enviou à sua namorada naquela noite.
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Levantou-se cedo. Queria garantir que não perdia o autocarro. Tomou um grande pequeno almoço, algo que nao costumava fazer muitas vezes, e saiu carregado. Apanhou o autocarro até à paragem onde teria de fazer escala. Depois de chegar, esperou aproximadamente cinco minutos até ver Auri carregada até à ponta dos cabelos. Também ela trazia duas mochilas, embora fossem menores. Quase ficou preocupado com a falta de espaço que iam ter dentro da tenda com toda aquela bagagem, mas depressa o esqueceu ao olhar para as curvas dela. Estava vestida com uma camisola de alças, ou pelo menos parecia por debaixo do casaco fino, uns calções curtos e umas sapatilhas, toda ela bastante desportiva.
Abraçaram-se e beijaram-se, como se não se vissem há semanas. Cada momento afastados parecia uma eternidade. Entretanto o autocarro chegou, colocaram as malas na bagageira lateral e seguiram para a nova aventura. Juntos, de mãos dadas e óculos de sol.
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