sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Apetece-me?

Apetece-me escrever. Há dias que tenho esta vontade. Não sei exatamente o quê. Deixar sair o que me vai na alma já não é tão simples como outrora fora. Olho para trás e vejo que muitas palavras foram escritas em vão, e ditas também. Ao mesmo tempo, tantas ficaram por escrever, por dizer... E eu aqui sem saber, o que realmente quero escrever.
Quero escrever coisas que não sei. Coisas que sinto e não posso explicar, talvez porque essa explicação esteja para além do alcance da minha inteligência, por agora pelo menos. Não vejo com clareza. Existem demasiadas coisas a turvar a minha visão. Demasiados sentimentos, demasiadas vontades... Se ao menos pudesse satisfazer todas estas vontades... Mas nem a vontade de escrever consigo satisfazer.
Preciso de dormir, durante um mês de seguida, e recuperar todas as forças que perdi e que nunca voltei a ter. Acho que nunca as vou recuperar, e não, não é por não poder dormir durante um mês, mas o motivo também não interessa.
Eu estou bem. Como sempre. Apenas cansado, talvez. De algo e de tudo um pouco. Desta vida onde apenas se trabalha. Um dia alguém disse algo do género "escolhe um trabalho que ames e nunca terás de trabalhar na tua vida". Pois, mas neste pedaço de terra a que chamamos país ainda não se dá um salário a um escritor, de maneira a que assim não me safo. Claro que quando digo isto todos me dizem que posso escrever em part-time. Claro que posso, mas a escrita é uma arte que demora algum tempo a aprimorar e a produzir. Não posso apenas escrever um livro em duas ou três horas, num dia em que chegue do trabalho já cansado. E mesmo que tivesse esse tempo, que na verdade não tenho, é preciso ter inspiração, coisa que não acontece quando se está cansado. Engraçado como tenho cada vez mais perguntas e cada vez menos respostas. Quase tanto como querer escrever de algo e não saber de quê.
Parece-me que coisas bastante más se avizinham. Também é complicado esperar um futuro prospero nesta fase da minha vida. Espero apenas que as coisas boas venham também, apenas para me fazer continuar a ter algo a que chamamos esperança. Não que a tenha de verdade... ou talvez tenha e só não o saiba.
Anyway, aquilo que eu acho, aquilo que eu penso ou mesmo o que sinto, nada disso importa. As coisas são como são e nada há a fazer.

(PS Na noite passada sonhei com uma flor há muito perdida e esquecida, por momentos tive-a nas minhas mãos e era mais suave e agradável do que poderia imaginar. As estranhas partidas de uma mente cansada são interessantes em níveis que mais ninguém entende).

Sem comentários:

Enviar um comentário