Sentado na paragem de autocarro, com os pés em cima do banco, lia o seu recém comprado livro de fantasia. Acabara de o comprar, mas já tinha lido cerca de cinquenta páginas. Estava quase na hora do seu autocarro, sabia apenas porque estava a começar a ficar com menos luz solar, o que tornava mais complicado ler as pequenas palavras. Sentiu um odor, um perfume, no ar, agradável e desviou os olhos do seu livro. A sua pulsação acelerou. Lá estava ela. Na sua paragem e com um exemplar do livro que estava a ler na mão.
- "Boa leitura"
Conseguiu ler os seus lábios, mesmo antes de arrancar desajeitadamente os auriculares dos ouvidos.
- Obrigado! Estou no inicio mas está a ficar interessante - respondeu enquanto fechava o livro.
- Não puseste um marcador! Agora perdeste-te!
- Não uso... Costumo decorar o numero da página...
- Também já tentei fazer isso, mas não posso dizer que resulte!
- Comigo também só resulta se não passar muito tempo.
Nem estava a acreditar que aquela rapariga estava ali ao seu lado. Ainda por cima com um livro igual ao seu nas mãos. Para além de ser bonita, podia pelo menos dizer que tinha muito bom gosto. Mas havia algo mais que o atraía em relação a ela, algo inexplicável.
- Como te chamas?
- Hélio. E tu?
- Aurora. Mas podes chamar-me Auri se preferires.
Era primeira Aurora que conhecia, supunha que aquela fosse realmente uma rapariga única. O autocarro chegou. Ia pedir-lhe o número de telemóvel a seguir, mas parecia que não ia haver tempo para isso. Por sorte, coincidência ou destino, ambos entraram. O autocarro estava praticamente cheio, tiveram que seguir em pé, não que fizesse grande diferença.
- Queres o meu numero? Para o caso de depois quereres falar sobre o livro ou...
- Sim - respondeu, cortando-lhe a pergunta idiota a meio.
Que raio de maneira de pedir o numero a uma rapariga! Em que estaria a pensar?
Auri passou-lhe o telemóvel para a mão e ele marcou os nove dígitos e devolveu para que ela guardasse o numero com o nome que quisesse. "Hélio, o rapaz estranho que encontrei na paragem de autocarro" parecia adequado, não fosse a sua extensão.
Passados alguns minutos, não saberia dizer quantos, o condutor travou repentinamente e reclamou com o transito e ela, involuntariamente, chocou com ele, e por um segundo, quase se abraçaram para não cair ao chão. A sua pulsação estava realmente acelerada naquele momento e quase corava.
- Desculpa...
- Não faz mal!
Na paragem seguinte, ela saiu e menos de um minuto depois, o seu telemóvel vibrou.
- "espero encontrar-te em breve"
Até.
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