Fechou os olhos àquela queda vertiginosa. Estava quase no
último andar, no topo das escadas, sempre gostara da ilusão das escadas dos
vários andares interligando-se entre si de forma infinita, até que,
repentinamente, terminam no frio chão. Desde que se lembrava, sonhara em
descê-las da forma mais rápida e atravessar a ilusão infinita. Passou muitos
finais de tarde ali sentada, em frente à janela, até o sol se pôr e as estrelas
misteriosas subirem ao céu escuro.
Quando finalmente abriu os olhos, a luz tinha desaparecido.
O frio era agradável naquela época do ano, mas as nuvens tapavam toda e
qualquer luminosidade das estrelas lá fora. Abriu os braços e deixou-se cair
suavemente para trás. Voou a uma velocidade estonteante antes de embater no
chão violentamente. Interessante como algo que começou de forma tão suave
terminou de forma tão violenta. No último momento, podia jurar que vira a
própria morte e que poderia abrir um par de asas pálidas para lhe conseguir
escapar. Todos vemos o que queremos, especialmente nos momentos de maior
desespero.
A paz e as sombras implodiram dentro de si uma última vez,
enquanto uma lágrima rolava e gelava na sua face. Nunca ninguém dirá se era de
tristeza ou felicidade, nostalgia apenas talvez. E então, tudo terminou. O seu
corpo explodiu no chão e o seu espirito libertou-se para o desconhecido.
Até.
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