Passou cerca de uma semana desde que se encontraram na paragem de
autocarro e começaram a trocar mensagens e chamadas. Enquanto estava a passear
a sua cadela, altura em que tomava muitas das suas decisões, resolveu
finalmente convidá-la para sair. Não tinha grande jeito ara fazer algo do
género, as coisas nunca lhe pareciam sair naturalmente, parecia que os seus
sentimentos se interpunham entre a sua cabeça e a sua boca e nunca conseguia
dizer algo realmente decente. Começou por tirar uma foto de uma rosa que
desabrochava ali num pedaço de terra junto ao caminho em que estava a passar. A
cadela quase lhe arrancava a trela das mãos no momento em que tirou a
fotografia, por sorte já tinha capturado a imagem que pretendia e nem a cadela
nem a fotografia lhe escaparam. Agora precisava da mensagem perfeita. Claro que
estava a exagerar, mas era bastante comum pensar demasiado, mesmo em coisas tão
simples como aquela, não é que ele fosse mau a improvisar, mas sempre planeara
demasiado as coisas.
Depois de muito pensar, de passear o dobro do tempo que costumava e
quase ter caído num grande buraco no meio do pinhal de tão distraído que
estava, concluiu que mais valia deixar as coisas o mais simples que
conseguisse. Regressou a casa e enviou-lhe um MMS com a foto da rosa e uma
pergunta.
“Queres ir ao cinema um dia destes?”
Sentiu-se parvo no momento depois de ter enviado a mensagem, não pelo
texto, mas sim por ter enviado uma foto juntamente com a pergunta. Ele era
antiquado e até um pouco romântico demais nestas coisas, afinal de contas,
aquilo era um convite e um convite tem sempre uma imagem de capa, mesmo quando
é digital, ou era disto que se tentava convencer para que não se sentisse tão
idiota.
– A rosa é bonita – respondeu ela.
– Também achei! Tirei a foto a pensar em ti.
– obrigado :$
Gostava quando ela enviava aquele “smile” envergonhado, de certa forma
fazia sempre com que o seu pequeno coração acelerasse mais um pouco, mesmo
sabendo que um “smile” é apenas um “smile” e nada mais.
– De nada.
Ficou à espera durante quase uma hora até que finalmente compreendeu
que ela se deveria mesmo ter esquecido, ou pura e simplesmente não tinha
reparado na pergunta que acompanhava a fotografia.
– Acabaste por não me responder!
– Ao quê? – respondeu ela por fim.
– Se queres ou não ir ao cinema comigo…
– Quando?
– Quando quiseres! Amanhã ou depois…
A próxima resposta demorou a chegar. Tanto que pensou que o seu telemóvel
estivesse com algum problema, mas resolveu que não ia pressionar. Estava
ansioso e nervoso por uma resposta. Sabia que não deveria estar assim, ou
talvez devesse, para dizer a verdade, já não sabia nada. Só sabia que acordava
a pensar em Auri e adormecia a pensar nela, nada mais importava, não
verdadeiramente pelo menos.
– Não sei… – disse ao anoitecer.
Não havia nada que mais detestasse que aquilo. Aquela situação e
aquela resposta. Para quê uma tamanha demora para um simples “não sei”?
Preferia até um “não” diretamente ao invés daquilo.
– Então quem sabe? :p – tentou disfarçar o seu descontentamento
gracejando.
– Não sei.
Outra vez aquela triste resposta. Começou a pensar que os seus
sentimentos não eram realmente correspondidos, por mais que tenha pensado que
sim. Logo depois de ter pensado nisto, pensou que sentimentos seriam esses…
Nunca tinha pensado nisso antes.
– Vá lá, vai ser divertido! Deixo-te escolher o filme! ;)
As respostas custavam cada vez mais a chegar. Não sabia se ela estaria
realmente a demorar muito tempo a responder ou se era ele que estava demasiado
nervoso por as receber. Quando esperamos por algo, parece sempre demorar mais.
– Okay… Talvez… depois de amanhã então?
– Parece-me bem! – Respondeu aliviado.
– Encontramo-nos lá então!
Até.