Papel rasgado,
Por todo o chão espalhado.
Pedaços de céu,
De luz raiado,
De nuvens manchado,
Escondido, debaixo do escuro véu.
A casa está vazia,
Dentro do céu quebrado,
Em caixa fria
Como fio de cruel machado.
As palavras estão divididas,
Misturadas e desordenadas,
Empoeiradas e meio comidas,
Reprimidas e cansadas...
E depois de tudo,
De todo o trabalho e imaginação,
De grito mudo,
E choro de verão.
Ninguém as lê.
Ninguém as ouve.
Ninguém as vê.
Ninguém sente ou soube.
Como se não existissem,
Apenas rasgadas.
Como se de alma despissem
Belas história cruzadas.
Quem as haverá,
De ler em tal estado?
Quem as amará,
Se tudo está errado?
Nem criador,
Nem qualquer leitor,
Palavras desamparadas,
Histórias inacabadas
Um mundo falhado,
Um Puzzle interminado.
A vida de todos,
Perdida em palavras rasgadas
Escritas com luz,
De letras encantadas.
Se ninguém as conheceu,
Será que realmente as viveram?
Se ninguém as viveu,
Será que realmente existiram?
Até.