sábado, 4 de outubro de 2014

Uma, duas, três, quatro...

Uma, duas, três, quatro... As folhas caiem no lago.
Perturbam a sua água, doce, límpida e calma.
Acordam os peixes que dormem.
Descansam os peixes acordados.

Uma, duas, três, quatro... Ondas que rebentam na costa.
Molham as folhas já secas e endurecidas pelo sol.
Libertam o pó da secura.
Fecham os olhos aos pássaros.
Distraem a procura do mundo.

Uma, duas, três, quatro... Libélulas levantaram junto à água.
Bateram as asas e voaram rapidamente.
Os pássaros mergulharam.
Os peixes esconderam-se.

Uma, duas, três, quatro... Penas negras a boiar.
As garras fecharam-se em volta dos insectos.
Os olhos abriram-se.
O Chilrear rebentou.

Uma, duas, três, quatro... Crias no ninho para alimentar.
Silenciam-se, uma a uma.
Os peixes adormecem.
As ondas somem.

Uma, duas, três, quatro... folhas que se perdem no esquecimento.
Das mentes há muito perdidas.
Das mentes que ainda se vão perder.
Todos vamos esquecer...

Até.

 

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