sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Paralelo, entre mundos

Vivo entre os mundos que não compreendo. Apaixono-me por cada um deles, uma e outra vez. Todos brilham na luz do sol. Todos são negros sobre a escuridão da noite. É na escuridão que me perco.
Oiço as vozes de todos os mundos e fico, paralelo. Em paralelo, nunca me encontro com nenhum, totalmente ausente e presente. E então, esses mundos encontram-se. Dois mundos apaixonantes juntam-se nos conhecimentos e relações, mesmo continuando separados, estão juntos. Fico feliz, mesmo não intercedendo. O tempo passa. O meu sono chega e vai. Pessoas morrem, partem, desaparecem. Pessoas nascem, vivem e permanecem, por sabe-se lá quanto tempo, depende do quanto teve destinado, ou não. E o conflito surge.
Um dos mundos apaixonou-se, infinitamente mais que eu. Um mundo apaixonar-se por outro pode ser algo perigoso, como eu bem sei, bem vi. Bem senti. Esse mundo queria mais que apenas trocas comerciais e pequenos apoios estratégicos. Queria mais que um simples Pacto de Não Agressão. Queria uma total junção. Uma junção em que deixaríamos de falar em dois mundos e sim numa aliança plena e total.
Por que me deixei acordar em tal momento? Outra vez. Dormir é tão mais simples, não existir... apenas, deixar existir. Os dados estavam lançados. Os mundos separaram-se. Ficaram mais longe que nunca. O segundo mundo sempre dissera, desde inicio que não queria mais que aquilo. Uma tentativa de aproximação foi ultrajante, mas nem um mundo inteiro consegue evitar apaixonar-se. Por momentos, uma guerra levantou. Por motivos irreais, evaporou, deixando para trás a raiva e a mágoa. Ambos ficaram intactos. Ou assim parecia.
Deixo-me aqui.
Paralelo.
De dois mundos desfeitos de magia e dor.
Imaginando, quando terei o meu próprio mundo de volta.

Até.

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