As estrelas aborreceram-se da noite e não me deixam dormir. A noite canta, ou talvez seja o galo perdido nas horas que resolveu acordar, uma vez mais, toda a vizinhança. E o tempo passa, flui como correntes intermináveis e lágrimas que correm pelas paredes das casas há tanto vazias, de vida e de morte. Nada mais encanta. Um tudo ou nada exagero da parte de quem o assim quiser entender. No entanto, exagero ou não, o encanto vai-se perdendo e vai-se ganhando e a noite, sem estrelas, parece perder o seu. O frio começasse a sentir. Não é frio de neve e gelo, é frio sem brilho nem escuridão, frio vazio, de solidão. As estrelas costumavam aquecer este mundo. Derreter o frio e encher as casas de calor, vida e, por vezes morte, acalmar os galos malucos e deixar os vizinhos, e a mim, dormir em paz e sossego.
A corrente vai puxando pelo relógio antigo e dourado, suave e lentamente, outras vezes de rompante e tão rápido que quando demos por ela, já os ponteiros rodaram tudo o que tinham para rodar. E, aos poucos, vai puxando também as estrelas, as belíssimas estrelas que tantos encantam os Homens e a noite.
Saudades da estrela. Já faltou bem mais!
Até.
Sem comentários:
Enviar um comentário