A água brotou nas suas mãos e ensopou o chão de terra batida. Aquela água era morna, morna como sangue e escura como ébano.
O chão tremeu e ela sorriu. Iria terminar em breve. Nada era o que era. Aquele mundo fazia parte de uma ilusão que ninguem compreendia, nem mesmo ela. Apenas sabia que não era real, algo não era real, não podia dizer sequer o quê.
A terra secou e as ávores perderam toda a vitalidade. Gradualmente o mundo perdeu a cor e retornou à original mancha cinzenta. Deliciou-se ao olhar para as suas mãos, apenas com um ligeiro corte que se regenerava a olhos vistos, manchadas de sangue mais escuro que o céu nocturno. Apenas um ligeiro corte, umas gotas do seu sangue, e mais um planeta pereceu. E toda aquela vida, toda aquela morte, era agora sua. Mesmo então, a sede permaneceu.
Acordou repentinamente na sua cama. Teria de trocar novamente os lençois manchados de vermelho. Olhou para as mãos, para os cortes que em poucos segundos desapareciam e soube que estava para breve.
Até.
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