domingo, 27 de abril de 2014

Passeio nocturno

Sozinho no meio de uma floresta, a meio da noite, a meio de um caminho lamacento. Olhou para a metade do caminho percorrido, vago mas visível, doloroso talvez, mas mais seguro que o escuro breu à sua frente. A escuridão é apenas a ausência de luz, os sons são apenas a agua da chuva a embater nas pedras. Tudo é perfeitamente normal. Então porque é que o seu coração batia tão depressa?
O ar era puro, o mais puro que é possível encontrar na região. Encheu os pulmões lenta e suavemente e soltou o ar da mesma forma. Não conseguia ver nada, mas porque haveria de precisar de ver ali? Não havia nada para ver, apenas sentir. Se ao menos os seus sentidos fossem apenas um pouco mais aguçados. Mas era apenas humano, embora detestasse esse facto. Começou a acalmar-se, a dor e o tédio desapareceram por breves momentos. Aquele ar húmido da meia noite no meio da floresta ajudava-o sempre a relaxar, mesmo que ficasse tenso com as pequenas partidas da mente.
Parou por momentos e tentou entender o que aprendera. Nada. Apenas ficara com os pés molhados e cobertos de lama, outra vez. Mas gostava daquele passeio, completamente na escuridão, quase selvagem. Só, no completo silêncio. Era tudo o que lhe restava agora, a solidão e o silêncio que tantas vezes aclamara.
A escuridão vem com um preço.

Horas mais tarde, os dois olhos acenderam-se e o olho da guerra era imensamente maior que o da morte. Não sabia o que isso poderia sequer dizer, mas estava dito.

Até.

Sem comentários:

Enviar um comentário