domingo, 20 de abril de 2014

Ordinary death

Estava demasiado cansado para continuar. A espada era demasiado pesada para que lhe pegasse. A chuva começara a cair enquanto esperava, mutilado, pelo terrível final. O céu estava escuro e era riscado periodicamente por uns estranhos relâmpagos roxos que lhe faziam lembrar os seus dias de juventude, nem sabia bem porquê. Mas também já não importava.
O cavaleiro com a escura armadura aproximara-se dele estalando ossos de defuntos por baixo dos pés. Aquela barba preta manchada de sangue era aterradora, mas sabia que apenas escondia uma face coberta de cicatrizes ainda mais assustadoras. A lança desceu suavemente e nesse momento, no instante antes desta lhe entrar pelo peito adentro, toda a sua vida lhe passou pela memória, que clichê, mas era a verdade. Nascera, irmão de muitos, crescera à sua sobra. Sempre fora pobre e nunca tivera muitas oportunidades, embora sempre tenha acreditado que um dia ia conseguir concretizar algo grandioso. Depois a guerra começar, fora um soldado medíocre que no geral sempre se safara bem. Conquistou a posição de capitão duas semanas antes e deixava uma vida ainda por preencher para trás.
A lança desceu, o seu assassino olhou-o nos olhos com prazer no momento que que a vida lhe abandonava o corpo. E subitamente, tudo terminara, sem drama, sem emoção, sem nada...
Nem todas as mortes são heróicas, mas todas são importantes.

Até.

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