segunda-feira, 14 de abril de 2014

Ending.

Sorriu ao olhar para aquele grupo coberto de escamas de ferro. Não por estar feliz, embora estivesse, mas sim para mostrar os seus estranhos caninos. Não era um vampiro, nem lobisomem, aparentemente essas coisas apenas existiam em lendas e histórias. Era muito humano, embora sempre tenha desejado não o ser.
Correu na direção dos seus inimigos, os últimos que tinha pela frente. Saltou no último momento, que nem um gato a rodopiar pelo ar e rasgou a jugular ao primeiro com os seus dentes. Adorava o sabor de sangue ainda quente. A primeira estocada veio da esquerda, uma lança por entre as costelas, fê-lo rosnar de uma forma bizarra. Arrancou a lança apenas com uma mão e espetou-a no peito do seu agressor. Aquela dança de ferro e sangue era a mais graciosa e bela das danças. Ali não havia falhas. Era viver ou morrer, tudo nos seus pés, equilíbrio e balanço.
Lutava como uma fera e não como um homem. Balançava as suas adagas como se de garras se tratassem e volta e meia mordia e pontapeava os inimigos com tal força que os eliminava do combate. Quando os inimigos de pé eram menos que as facas e pedaços de madeira espetados nas suas costas, braços e pernas, a chuva chegou. Aquele momento pelo qual aguardara todos aqueles anos, finalmente chegara, no fim é certo, mas pelo menos iria atravessar aquele rio feliz.
Continuou a caminhar, agora mais devagar, desferiu golpes onde quer que existisse movimento, cem metros e mais de meia centena de cadáveres depois, começara a perder as forças. A chuva não era suficiente para lhe lavar as feridas ou a alma. Atravessou a muralha, aquela gigante parede de pedra que sempre objetivara atravessar e vira pela primeira vez o que se encontrava além.
Não existia nada nem ninguém.
Não existia dor, sofrimento, ódio, amor, luz ou trevas.
Apenas o vazio puro de um paraíso perdido.
Correu na direção da luz, deixando um rastro de sangue e armas de ferro e aço.

Paz, por fim chegou.

Até.

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