sábado, 24 de janeiro de 2015

Três minutos

Faltam três minutos e começa finalmente a adrenalina a subir. Já lá vai o tempo em que algo assim durava uma semana, como uma droga, que perde o seu efeito e a sua força ao longo do tempo. Mesmo assim, são poucos os momentos mais saborosos que esses.
A musica muda e fica mais alta. O mundo desvanece em sobras púrpura. O improviso sem qualquer tipo de preparação começa a nascer, com a adrenalina sempre a aumentar, de forma tal que as veias quase rebentam de prazer. Nunca o sangue pulsa tão depressa como quando temos um público à nossa frente, à espera de uma apresentação estruturada, delineada e complexa e pura e simplesmente não existiu nenhuma preparação, nenhum estudo ou reflexão, bem, talvez exista um ou outro momento em que o sangue pulse ainda mais depressa, mas isso, é um tipo diferente de prazer. Pensamentos rápidos, palavras caras e redundantes, confiança do que se está a dizer, mesmo que nunca se tenha ouvido falar de tal. O importante é que ninguém perceba. E ninguém percebe nada.
Venha o próximo.
Eu não quero mais isto.
Os três minutos passaram.
E nem sempre se passam bem.

Até.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Manhãs de inverno morno

Odiei-te quando o teu despertador tocou.
As tuas palavras ecoaram, desenhadas pelos teus lábios irresistíveis, e no fundo dos teus olhos, e da tua alma, amavas-me tanto quanto te amava a ti.
Toquei-te na face, um pouco rosada do frio, e comecei a amar-te, outra vez. Todos os dias te amo como se pela primeira vez.
A geada lá se foi derretendo à nossa volta, na longa espera pelo autocarro amarelo. As gotículas formaram-se nas folhas das ervas no chão, mostrando uma beleza comum, mas nem por isso menos bela. E assim apaixonei-me pelo sol que derrete o gelo. pelas ervas verdes e rasteiras que crescem nas rachas do passeio. Pelos vidros embaciados à nossa volta e até pelo banco frio de metal.
As coisas mais comuns ganham uma nova importância, desde que segures na minha mão.
O autocarro chegou. Subimos e seguimos viagem. Mais uma viagem entre tantas outras que faremos. Já te disse que quero correr o mundo contigo? E sim, já te disse, mas as coisas belas devem-se repetir. E é por isso que te quero repetir, até te fartares de mim. Eu sei que não me vou fartar.
Fico à espera do destino.
Vamos ver onde o autocarro amarelo nos leva.

Até.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Primeiro atropelamento de 2015!

Primeira publicação do ano (isto ser ao dia 12 é triste, já lá vai o tempo em que tinha tempo de escrever quando me apetecer)...
Fui atropelado. Por um carro. Outra vez.
Da última vez, não posso dizer que tenha sido um atropelamento, foi apenas o espelho do carro que me bateu no braço. Desta vez, num passeio, numa saída de um parque de estacionamento, onde qualquer carro perde a prioridade, uma senhora aguardava distraidamente que o transito abrandasse e conseguisse entrar na estrada. Claro que não iria ficar meia hora a espera que ela passasse, de forma a que fui em frente, pelo passeio, que foi feito para os peões. De súbito, começou a andar, comigo ainda a frente do carro. Obviamente, protestei e gritei-lhe que visse por onde anda, e a senhora, ao invés de parar e ver se estava bem, acenou e continuou. Iria dizer que só mesmo no nosso país é que isto acontece, mas na verdade, porderia acontecer em qualquer cidade por este mundo fora. Ao menos não me magoei, por isso, nem tudo é mau, acaba por ser uma história quase hilariante que se possa contar, não fosse de certa forma revoltante.
Bem pessoal, apenas vos digo, não atropelem pessoas :p e se atropelarem, tentem ao menos parar o carro e ver se não mataram alguém, parece mal continuar a andar, mesmo que estejam atrasados. JS.

(PS isto era para ser algo meio poético, do tipo "fui atropelado, mas não foi pela sua beleza...", mas era demasiado revoltante para me por com rodeios)

Até.