terça-feira, 12 de novembro de 2013

12 dias depois do halloween

Introduziu suavemente a perigosa extremidade, abrindo-lhe, pela primeira vez, aquela misteriosa cavidade, que tanto dava prazer como dor.
Um misto de ansiedade, medo e curiosidade, atravessou-o andes de começar o seu acto, também iria ser a sua primeira vez, embora já tivesse visto algo similar naqueles filmes de que só ele gostava. Mas tudo isto passou assim que começou, sendo estes sentimentos substituídos por paixão e uma ponta de loucura. "Vou abri-la toda" pensava.
Mordeu-lhe a ponta do nariz, suave e pontiagudo. Toda ela era doce, mesmo a ponta do seu pequeno nariz, era impossível não a lamber e mordiscar.
Olhou para os seus olhos, agora tão profundos, e quase se perdeu na magia da sua luz.
Afagou e acariciou todas as suas deliciosa curvas. "E como ela tinha curvas" pensava deliciado! Eram redondinhas e, por falta de melhor palavra, perfeitas.
Enfiou-lhe um dedo na boca, sentindo o seu calor húmido. Ela parecia gostar dos seus dedos, quase os sugando para dentro de si, e os seus olhos brilhavam cada vez mais.
Isto queria dizer que estava na hora. Estava na hora de libertar as suas sementes para aquele saquinho de plástico e de, para sua infelicidade, a abandonar. Ela era tão doce que quase lhe doía a alma por não a poder levar para sua casa consigo, mas não podia. A sua mulher não haveria de gostar nem um pouco.
Pegou na faca, afiada como não se vê, e no saquinho repleto de sementes e deixou-a para trás.
Cortada, magoada, fendida e só. A abóbora ficou a brilhar, assustadora e fantasmagoricamente.
A sua mulher detestava abóboras, era mesmo alérgica, mas ele adorava o seu sabor.

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